segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

O Eclipse Total da Lua em 31 de janeiro 2018!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

I – Introdução

Em 31 de janeiro próximo teremos a ocorrência do primeiro eclipse lunar deste ano, cuja região de visibilidade total engloba grande parte do leste Asiático e do oceano pacífico, (ilhas da Polinésia, Estados Federados da Micronésia e Melanésia) Oceania e oeste da América do Norte, conforme apresentado na figura 1.

Ele será observado próximo à linha do nascer (horizonte leste) na região subcontinental indiana, Oriente Médio, região da Ásia central até a região da cordilheira dos Montes Urais na Rússia, abrangendo assim grande porção do leste europeu.

Uma pequena porção da costa oeste da América do Sul (região da Cordilheira dos Andes: Colômbia, Equador, Peru e Venezuela), América Central (incluindo partes das ilhas do Caribe) e América do Norte, acompanharão este fenômeno com a Lua muito próxima de seu ocaso. O instante máximo ocorre às 13h29m51s (TU), quando a lua então estará no zênite em algum ponto sobre o pacífico norte entre as coordenadas de Latitude 17.000N e 161.000W; a duração da totalidade encontra-se estimada em 76.9 minutos (CAMPOS, 2017).

Os instantes de contato primários e as principais fases deste eclipse, também são apresentados na figura acima com tempos estimados em UTC = Tempo Universal Coordenado (em inglês: Coordinated Universal Time) sendo que a figura 2 apresenta as condições de umbra e penumbra no instante da totalidade.

II – Avaliações da coloração segundo a Escala de Danjon

Outro fato curioso é que a Lua permanecerá poderá ficar brilhante durante todo o evento, caso não haja influência significativa de aerossóis provenientes de grandes explosões vulcânicas; sua magnitude umbral deverá ser 1.317.

Felizmente temos como avaliar essa coloração. O astrônomo francês André-Louis Danjon (1890 - 1967) propôs uma escala de cinco pontos úteis para avaliar o aspecto visual e o brilho da Lua durante a fase de totalidade dos eclipses lunares. Os valores "L" (inseridos na tabela 1) para várias luminosidades são definidos da seguinte forma:


III – Conclusão

Um eclipse mais claro ou escuro, certamente a gigantesca tela lunar revelará essa informação aos observadores somente durante a ocorrência deste eclipse. Da mesma forma que os eclipses de 09 dezembro de 1992, 29 de novembro de 1993 e 16 maio de 2003 mostraram-se significativamente mais escuros que o previsto. Os eventos vulcânicos responsáveis por esses efeitos foram identificados, destacando-se dentre eles: a violenta explosão do Monte Pinatubo em Junho de 1991 e a erupção do Monte Reventador em Novembro de 2002 (VITAL, 2007).

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2018. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2017. 136p. Disponível em: < https://goo.gl/kniuMW> Acesso em 02 Dez.

- ________________. O Eclipse Total da Lua em 04 de abril 2015! – Sky and Observers. Disponível em <https://goo.gl/a854A4> Acesso em: 16 Dez. 2017.

- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 26 Nov. 2015.

- VITAL, Hélio Carvalho. Monitorando Explosões Vulcânicas na tela Lunar. REA/Brasil. REPORTE Nº 12, págs. 67/69. 2007. Disponível em: < http://www.rea-brasil.org/reportespdf/reporte12-artigo11.pdf > Acesso em: 05 mar. 2015.

O Planeta anão (1) Ceres em 2018!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 31 de janeiro próximo, o Planeta anão Ceres estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = +0.995), quando então sua magnitude chegará a 6.9, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de pequeno porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa, objetivando sua localização nos próximos dias. 


Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 1 Ceres foi descoberto em 01 de janeiro de 1801 pelo astrônomo italiano Giuseppe Piazzi (1746 — 1826) no Observatório de Palermo. (Mourão, 1987). Tendo recebido inicialmente a designação de Ceres-Ferdinandea, em homenagem à deusa romana da agricultura e a Ferdinando IV (1751 - 1825) rei da Sicília (Schmadel, 2003). (1) Ceres foi designado como Planeta Anão (Dwarf Planet) durante a 26ª Assembleia Geral da União Astronômica Internacional, ocorrida entre 14 a 25 de agosto de 2006, em Praga na República Checa (IAU, 2006).   



Em 2015 a missão espacial DAWN realizou esta fotografia da superfície de (1) Ceres com a cratera 'Occator aqui representada em cores falsas apresentando diferenças na composição da superfície. Esta cratera mede cerca de 60 milhas (90 quilômetros) de largura. A coloração azul está geralmente associada com um material brilhante, e parece ser consistente com sais, tais como sulfatos. É provável que os materiais de silicato também estão presentes (DAWN, 2016).


Notas:
1 = Nota: (au)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância media da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) OAM (2015).

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2018. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2017. 136p. Disponível em: < https://goo.gl/kniuMW> Acesso em 02 Dez.

- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 26 Nov. 2015.



- Dawn Home (NASA-JPL). <http://dawn.jpl.nasa.gov/multimedia/images/image-detail.html?id=PIA20180> - Acess in. 11 Jan. 2017.

O asteroide (19) Fortuna em 2018!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 01 de fevereiro próximo, o asteroide Fortuna estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = -0.997), quando então sua magnitude chegará a 10.1, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de médio e pequeno porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa, objetivando sua localização nos próximos dias. 

Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 19 Fortuna foi descoberto em 22 de agosto de 1892 pelo astrônomo inglês John Russel Hind (1823 - 1895) no Observatório de Londres. Seu nome é alusão a uma das mais poderosas divindades dos antigos, a deusa da fortuna. (MOURÃO, 1987).

John Russell Hind teve seu nome imortalizado na superfície lunar, quando uma cratera de 29 Km de diâmetro e 3 Km de profundidade, localizada nas coordenadas selenográficas LAT: 07° 54' 00? S e LON: 007° 24' 00? E, foi nomeada oficialmente em 1935 como HIND, pelo Working Group for Planetary System Nomenclature (WGPSN), da International Astronomical Union (IAU). Hind também descobriu e observou estrelas variáveis, além de descobrir Nova Ophiuchi 1848 (V841 Ophiuchi), a primeira nova dos tempos modernos (desde a supernova SN 1604).

Esse relevo foi registrado fotograficamente em duas oportunidades pela equipe do Vaz Tolentino Observatório Lunar (VTOL), em 24 de agosto de 2012 e 01 de maio de 2013. A composição de ambas imagens poderá ser visualizada em: http://www.vaztolentino.com/imagens/7587-Cratera-HINDconteudo/823-Cratera-HIND

Notas:
1 = Nota: (au)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância media da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) OAM (2015).

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2018. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2017. 136p. Disponível em: < https://goo.gl/kniuMW> Acesso em 02 Dez.

- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 26 Nov. 2015.



- TOLENTINO, Ricardo J. Vaz; (VTOL) Disponível em: <http://www.vaztolentino.com/imagens/7587-Cratera-HINDconteudo/823-Cratera-HIND> - Acesso: 13 Nov. 2017.

O asteroide (51) Nemausa em 2018!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 09 de fevereiro próximo, o asteroide Nemausa estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = +0.789), quando então sua magnitude chegará a 9.8, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de médio e pequeno porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa, objetivando sua localização nos próximos dias. 


Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 51 Nemausa foi descoberto em 22 de janeiro de 1858 pelo notável aluno da escola de Marselha, A. Laurent que observava no Observatório particular de Benjamin Valz, em Nîmes. Seu nome e uma homenagem à cidade e a fonte dedicada ao deus Nemausus. Forma feminina de Nemausum, nome latino de Nîmes, cidade onde foi descoberto. (MOURÃO, 1987).

Em 1939 (51) Nemausa foi selecionado por Bengt Strömgren (1908 - 1987) do observatório de Copenhagen com o objetivo de melhorar os catálogos fundamentais das estrelas; uma das ocultações favoráveis para a determinação de curva de luz, tamanho e forma foi à ocorrida em 11 de setembro de 1983, quando então (51) Nemausa ocultou a estrela 14 Piscium, visível numa faixa densamente povoada dos Estados Unidos de modo que um perfil detalhado pode então ser determinado; entretanto não foi observada nenhuma ocultação secundária nesta oportunidade.

Notas:
1 = Nota: (au)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância media da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) OAM (2015).

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2018. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2017. 136p. Disponível em: < https://goo.gl/kniuMW> Acesso em 02 Dez.

- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 26 Nov. 2015.




- DUNHAM, E.W. et al. “Results from the Occultation of 14 Piscium by (51) Nemausa”, Astronomical Journal 89: 1755-1758, 1984.

A curiosa trajetória de uma luneta por três observatórios paulistas

Nelson Alberto Soares Travnik (*)
nelson-travnik@hotmail.com
Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum

Década de 1920. Dois anos somente após a assinatura do armistício com o Tratado de Versailles, impondo a Alemanha exorbitantes reparações de guerra. Os sons do ‘Charleston’ invadem os salões e os Ford ‘bigode’ inauguram os congestionamentos. No Brasil, a cosmografia é parte do currículo escolar e a maioria das pessoas sabem que o Sol é uma estrela e a Lua não tem luz própria. Não há TV, computador e nem sequer o plástico. Em São Paulo, capital, um mapa da cidade mostra as localizações do Observatório de São Paulo – mais meteorológico do que astronômico – na Avenida Paulista nº 69 e o Observatório de São Bento no Alto de Santana.

Observatório de São Bento

A Ordem dos Beneditinos, resolve montar um observatório astronômico e para isso importa á renomada firma alemã C. A. Steinheil de Munique, uma luneta com objetiva de 175 mm e 2625 mm de distância focal, equipada com micrometro filar, helioscópio de polarização e câmara astrográfica, no valor de 6.000 Marcos-Ouro bem como uma cúpula com 5 m de diâmetro com revestimento externo de cobre e interno de madeira, no valor de 5.000 Marcos-Ouro. A luneta e a cúpula chegam ao Brasil em recibo datado de 15/11/1921, em nome do Rev. Abade Miguel Kruse. Uma outra encomenda constante de duas pêndulas astronômicas no valor de 1.756 Marcos-Ouro é feita à firma alemã de Berlin, Strasser u. Rohde pelo também Abade Miguel Kruse. Elas chegam ao Brasil em 03/05/1924 em nome de O. Ildefons Stehle. Tudo é cuidadosamente montado em um prédio construído pela Ordem no Alto de Santana e denominado Observatório de São Bento por volta de 1930. Um padre de nome D. Theodoro Kok faz parte do projeto. As atividades do Observatório não são conhecidas, mas a sua importância é refletida pela observação do eclipse lunar de 28/10/1939 mencionado pelo Dr. Alypio Lima de Oliveira (1886-1956), diretor da Diretoria do Serviço Meteorológico e Astronômico do Estado de São Paulo e autor do projeto do novo Observatório de São Paulo no Parque do Estado, bairro Água Funda. A utilização da luneta Steinheil foi utilizada nesse eclipse pelo Observatório de São Paulo em razão de que, sua luneta Carl Zeiss também com objetiva de 175 mm não estar na época ainda instalado. Por volta de 1940 surge um imprevisto: o monge responsável pelos trabalhos do Observatório, por razões insondáveis, abandona o sacerdócio e abandona tudo. Desapontados pelo episódio e na falta de um substituto à altura, a Ordem decide fechar o Observatório e transfere os instrumentos para um galpão em Arujá. O belo Observatório de São Bento precocemente chega ao fim.

Observatório Astronômico Bandeirante

Em 1951, um astrônomo amador e próspero comerciante na capital, João Octavio Nebias, ciente do abandono dos instrumentos, procede a compra de todo o patrimônio por Cr$50.000,00 (cinqüenta mil cruzeiros), segundo depoimento prestado por ele ao astrônomo Paulo Marques dos Santos do IAG-USP. O novo proprietário instala então em 1952 nos fundos de sua residência à então na época, rua Estrada da Cantareira nº 3344, o seu Observatório Astronômico Bandeirante que é registrado sob nº 267.514 na Empresa Mercúrio de Marcas e Patentes Ltda., no dia 24/05/1954. Na instalação dos instrumentos recebeu auxílio do insigne astrônomo Abraão de Morais (1917-1971) e do prof. A. Schutz. O Dr. Alypio Leme de Oliveira é também um dos que visitam o Observatório atestando assim a importância de suas instalações. Pouco se conhece sobre os trabalhos do Observatório e, mais tarde, as luzes da cidade vão gradativamente se aproximando do Observatório. É cogitada então a transferência do Observatório para a Fazenda Bom Jardim da família. Para lá é levada a parte óptica da luneta e acessórios. Mas João Octavio Nebias doente e em idade avançada vem a falecer não vendo o projeto ser realizado.

Observatório Astronômico de Piracicaba

Soube da existência do Observatório Bandeirante em 1986 graças ao colega do IAG-USP, Paulo Marques dos Santos. Por duas ocasiões fui visitar o Observatório em companhia do colega de Americana, Guilherme Grassmann. Àquela época encontramos o Observatório já desativado e seu proprietário já bastante idoso. Em 1989 soubemos do seu falecimento. Segundo sua esposa, todo o patrimônio do Observatório estava sob os cuidados do herdeiro, José Octavio Nebias. Em contato com ele, adiantou disposto a vender tudo uma vez que ninguém da família se interessava na utilização dos instrumentos. Acertamos então um preço para a luneta cujo recibo é datado de 30/08/1991. Não fiquei sabendo do destino das duas pêndulas astronômicas bem como um cronometro de marinha adquirido posteriormente pelo proprietário. Na ocasião, a aquisição do refrator só me foi possível com a venda de um terreno que possuía na cidade de Matias Barbosa, MG, ode vivi de 1944 a 1976 e onde havia fundado o Observatório Astronômico Flammarion (1954-76). Houve certa relutância na venda da luneta pois ela estava atrelada a cúpula de 5 m e era desejo vende-la junto com o mesmo. Não dispondo de mais recursos, prometi ao Sr. José O. Nebias que iria encontrar um comprador para ela o que de fato aconteceu com a implantação do Observatório Municipal de Diadema para o qual foi vendida a Prefeitura e que se encontra lá até hoje. A primeira oportunidade de instalação da luneta Steinheil foi para um projeto do Clube de Astronomia de Vinhedo, CAV, presidido pelo físico e colega, Paulo Bedaque Sanches, visando à construção de um observatório municipal naquela cidade. Levado ao prefeito José Carlos Gasparini, o projeto foi encaminhado à Câmara Municipal e aprovado por 10 votos contra 4. Houve até escolha do terreno e lançamento da Pedra Fundamental, mas logo tudo ficou esquecido. Mais tarde soubemos que haviam utilizado o projeto do observatório para outras finalidades ... decerto lucrativas. Mas ás vezes como muito bem diz o ditado, “não há nada como um dia depois do outro”, no início de 1992, graças ao empenho da Associação dos Astrônomos Amadores de Piracicaba, AAAP, e da ESALQ – USP em ceder o terreno, o prefeito José Machado resolve construir o Observatório Astronômico de Piracicaba que é inaugurado em 02/10/1992 contando com a luneta Steinheil, uma cúpula de 4.80 m de diâmetro, biblioteca e material pedagógico por mim oferecidos. O Observatório que viu seu nome ampliado para Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum, OAPES, homenageando assim seu fundador já falecido, completou em 2017, 25 anos de atividades ininterruptas com uma invejável folha de serviços prestados as escolas, população, turismo bem como trabalhos científicos. A luneta Steinheil, exemplo notável de mecânica fina com óptica excepcional, único dessa marca e porte no País, leva o nome de João Octavio Nebias e do seu Observatório Astronômico Bandeirante.

Referências:

- SANTOS, Paulo Marques. IAG - Memória sobre sua Formação e Evolução, Editora Eduasp, USP, 2005.
- TRAVNIK, Nelson Alberto Soares. Uma Luneta Única no Brasil, Uranometria Nova, SP, 28/01/2008.
- TRAVNIK, Nelson Alberto Soares. A História Desdobrada do Observatório de São Bento, revista Astronomy Brasil, 2007.

(*) Nelson Alberto Soares Travnik, é astrônomo responsável pelo Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum - OAPES e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.

sábado, 2 de dezembro de 2017

O Almanaque Astronômico Brasileiro de 2018!

Nobres amigos (as)!

Alegro-me em informar-lhes que já se encontra disponível para download na Home Page do Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais - CEAMIG, o "Almanaque Astronômico - 2018".


O endereço é:

O donwload poderá ser realizado também (de forma gratuita) através do seguinte link alternativo:


Eu agradeço novamente as manifestações recebidas e o carinho com que as edições anteriormente publicadas são recebidas e informando que sugestões de melhoria são sempre bem recebidas e implementadas na medida do possível. Então para este próximo ano, elas se fazem sentir novamente devido as opiniões colhidas junto aos integrantes da Turma Antlia que neste período, participaram da das atividades levadas a termo pelo GREC (Grupo de Reconhecimento e Estudos do Céu), grupo que de âmbito interno, tem por missão: "Criar e manter a cultura da observação e reconhecimento da esfera celeste entre os associados recém-ingressos nos quadros do CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais).“ 

Assim sendo deixo novamente registrado minha gratidão e eterna amizade aos amigos(as): Aléxia Lage de Faria, Vany Antonieta Purri de Oliveira, Newton Pena Vitral, Rodrigo de Almeida Jorge integrantes desta jornada de estudos ao qual futuramente estarão engajados em novo ciclo de estudos. Bem como ainda os integrantes do CEAMIG e da Rede de Astronomia Observacional (Rea-Brasil) e as pessoas de Nelson Alberto Soares Travnik, Hélio de Carvalho Vital e Ricardo José Vaz Tolentino pelo apoio e incentivo a essa publicação.

A útil plataforma de comunicação digital deste site eletrônico que permite a rápida atualização dessas postagens possibilita a disseminação em tempo hábil, que "pari passu" atua como elo valioso para consultas e complementação dos elementos deste Almanaque Astronômico que agora está disponível. 

Desta forma nossa especial atenção volta-se para os seguintes fenômenos que teremos a oportunidade de acompanhar em 2018:

a) Oposições planetárias:

- (1) Ceres em 31 de janeiro (Mv= 6.9)
- Júpiter em 09 de maio apresentando diâmetro aparente de 44.74",
- Saturno em 27 de junho (Mv= 0.0), e
- Marte em 27 de julho (Mv= -2.8) e diâmetro aparente de 24,31". 

b) Ocultações de Estrelas pela Lua:

b.1) Ocultações de Asellus Australis (Mv= 3.9) que ocorrerão em 27 de março e 16 de junho;
b.2) Ocultação  de Zubenelhakrabi (Mv= 3.91) ocorrendo em 01 de maio;
b.3) Ocultação  de Mekbuda (Mv= 3.7) ocorrendo em 19 de maio;
b.4) Ocultações de Al Baldah (Mv= 2.8) que ocorrerão em 28 de junho e 09 de dezembro;
b.5) Ocultações de Xi2 Sagittarii (Mv= 3.5) que ocorrerão em 26 de julho e 15 de outubro;
b.6) Ocultações de Hyadum II (Mv= 3.7) que ocorrerão em 27 de outubro e 21 de dezembro;
b.7) Ocultação  de Wasat (Mv= 3.5) que ocorrerá em 30 de outubro.

c) Ocultação planetária diurna e do aglomerado aberto M44:

c) Ocultação diurna de Vênus (Mv= - 3.9) pela Lua em 16 de fevereiro, visível no sul do Brasil;
d) Ocultação do Aglomerado Aberto M44 em 25 de dezembro.

e) Ocultações de estrelas por asteroides.

Importante: Embora uma quantidade muito grande de ocultações de brilhantes asteroides e brilhantes estrelas ocorrerão na esfera celeste, procurei destacar as seguintes:

e.1) TYC 6820-00161-1 (Mv= 11.4) em 17 de fevereiro;
e.2) TYC 7391-01452-1 (Mv= 12.0) em 04 de maio;
e.3) TYC 7381-00054-1 (Mv= 12.1) em 04 de junho;
e.4) 2UCAC 19726618   (Mv= 12.5) em 29 de setembro;
e.5) TYC 6840-00814-1 (Mv= 11.2) em 04 de outubro.

O asteroide é (29) Amphitrite, cujo diâmetro equatorial possui 227 km sendo um objeto interessante para estudos, pois é o melhor exemplo conhecido de um grande asteroide com uma superfície muito áspera e/ou variada;

e.6) 2UCAC 21378182 (Mv= 11.9) em 03 de junho;
e.7) 2UCAC 20909885 (Mv= 12.2) em 29 de agosto.

O asteroide é (9) Metis, cujo diâmetro equatorial possui 198 km sendo que pairava a suspeita deste objeto possuir um satélite o que até o momento, não foi confirmado mesmo após ser fotografado pelo Telescópio de Espelhos Múltiplos (Multiple Mirror Telescope) em 1982 e 1983, durante suas oposições.

e.8) 2UCAC 33013497 (Mv= 12.3) em 03 dezembro;
e.9) TYC 0152-01975-1 (Mv= 9.9) em 27 de dezembro respectivamente.

O asteroide é (6) Hebe, cujo diâmetro equatorial possui 185 Km sendo o quinto objeto mais brilhante no cinturão principal de asteroides, neste oportunidade com uma magnitude visual estimada em 8.7. 

f) Oposições de Asteroides

Dentre os diversos asteroides cujas respectivas condições observacionais serão favoráveis (não considerando neste texto o percentual lunar iluminado) nas respectivas oposições, destacam-se as seguintes:

f.1) - Oposição de   (8) Flora; Mag. Max. 9.8 em 02/01;
f.2) - Oposição de  (11) Parthenope; Mag. Max. 9.9 em 26/01;
f.3) - Oposição de  (51) Nemausa; Mag. Max. 9.8 em 26/02;
f.4) - Oposição de  (18) Melpomene; Mag. Max. 21.2 em 21/03;
f.5) - Oposição de  (21) Lutetia; Mag. Max. 10.8 em 11/04;
f.6) - Oposição de  (15) Eunomia; Mag. Max. 9.8 em 08/05;
f.7) - Oposição de  (29) Amphitrite; Mag. Max. 9.5 em 15/06;
f.8) - Oposição de   (9) Metis; Mag. Max. 9.7 em 16/06;
f.9) - Oposição de   (4) Vesta; Mag. Max. 5.3 em 20/06;
f.10) - Oposição de (88) Thisbe; Mag. Max. 9.7 em 20/07;
f.11) - Oposição de (37) Fides; Mag. Max. 10.5 em 30/07;
f.12) - Oposição de (27) Euterpe; Mag. Max. 9.8 em 06/09;
f.13) - Oposição de (30) Urania; Mag. Max. 9.6 em 19/09;
f.14) - Oposição de (23) Thalia; Mag. Max. 10.2 em 29/10;
f.15) - Oposição de  (3) Juno; Mag. Max. 7.4 em 17/11;
f.16) - Oposição de (40) Harmonia; Mag. Max. 9.4 em 09/12,
f.17) - Oposição de  (6) Hebe; Mag. Max. 8.5 em 29/12.

g) Cometas

Em paridade as condições observacionais com que são analisados os asteroides, os cometas cujo periélio dar-se-ão este ano, ou ainda que estejam dentro do limite observacional dos instrumentos óticos (binóculos, lunetas e telescópios) de pequeno e médio porte, estão apresentadas as efemérides mais favoráveis. Desta forma as expectativas são:

- Cometa C/2016 M1 (PANSTARRS), magnitude 9.1 a contar de 25/06 (antecedendo seu periélio), até o fim de dezembro;
- Cometa C/2017 S3 (PANSTARRS), magnitude 4.1 a contar de 15/08 (No mesmo dia de seu periélio), até o fim de dezembro;
- Cometa 21P/Giacobini-Zinner, magnitude 7.1 a contar de 03/09 (antecedendo seu periélio), até 23 de dezembro respectivamente;
- Cometa 64P/Swift-Gehrels, magnitude 11.1 a contar de 23/10 (antecedendo seu periélio), até 23 de dezembro respectivamente;
- Cometa 38P/Stephan-Oterma, magnitude 9.1 a contar de 22/11 (após seu periélio), até o fim de dezembro;
- Cometa 46P/Wirtanen, magnitude 3.8 a  contar de 14/12 (após seu periélio), até o fim de dezembro;

h) Eclipses:

Em 2017 teremos a ocorrência de 05 (cinco) eclipses sendo: 

- Eclipse Total da Lua 31/01/2018, cujo instante máximo ocorre às 13h29m51s (TU) e a duração da totalidade encontra-se estimada em 76.9 minutos;

- Eclipse Parcial do Sol em 15/02/2018, cuja visibilidade engloba a região austral da América do Sul e grande parte da  Antártida;

- Eclipse Parcial do Sol de 13/07/2018, cuja faixa de visibilidade recai no extremo sul da Austrália uma pequena porção da Antártida;

- Eclipse Parcial do Sol em 11/08/2018, cuja região de visibilidade abrange o Cazaquistão, Coreia, China, Estônia, Mongólia e Rússia (porção continental) e Europa setentrional; engloba também a Península Escandinava (Noruega, Suécia e Finlândia), Islândia, Ilhas Feroe e Groenlândia.

- Eclipse Total da Lua 27/07/2018, cujo instante máximo ocorre às 20h21m44.3s (TU), e a duração de sua totalidade encontra-se estimada em 103.6 minutos.

Nesta presente edição a capa ilustrativa idealizada pelo astrônomo amador Breno Castro, traz a coletânea das 15 edições anteriores (isso inclui a edição comemorativa do Ano Internacional da Astronomia). A qual os respectivos links para download disponibilizados na última página, podem ser acessados livre e gratuitamente.

Desejo sempre que a publicação seja útil ferramenta para todos(as) aqueles amigos(as) que, que fazem da astronomia uma festa e uma inspiração constante, que disseminem essas efemérides no âmbito de suas respectivas associações, clubes, grupos, núcleos, observatórios e planetários; endereços certeiros em que a ciência astronômica e sua prática observacional é uma constante.

Por oportuno, aproveito esta oportunidade desejar a todos, votos de muita saúde, paz, harmonia e prosperidade.

Um grande e fraterno abraço,

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG - REA/Brasil - AWB


"Aquele que não comunica aos outros o que conhece perece com a murta do deserto, cujo perfume se perde para todos... Até o último dia então serei inteiramente da ciência e dos meus semelhantes." François Arago

O asteroide (32) Pomona em 2018!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 09 de fevereiro próximo, o asteroide Pomona estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = -0.301), quando então sua magnitude chegará a 10.9, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de médio e pequeno porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa, objetivando sua localização nos próximos dias. 
 



Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 32 Pomona foi descoberto em 26 de outubro de 1854 pelo astrônomo amador alemão Hermann Goldschmidt (1806 - 1880) em Paris. Seu nome é uma alusão à deusa dos frutos e jardins. Nome proposto pelo astrônomo francês Joseph Urban Leverrier. (MOURÃO, 1987).

Notas:
1 = Nota: (au)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância media da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) OAM (2015).

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2018. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2017. 136p. Disponível em: < https://goo.gl/kniuMW> Acesso em 02 Dez.

- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 26 Nov. 2015.