terça-feira, 1 de dezembro de 2015

O céu do mês – Dezembro 2015

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Companheiros e companheiras das jornadas observacionais,

A chegada de uma publicação para o próximo ano, voltada para o planejamento de atividades observacionais da esfera celeste e sempre um momento importante. Desta forma, circulando para download livre (http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2016.pdf), o Almanaque Astronômico Brasileiro, anualmente editado pelo CEAMIG chega apresentando uma carga enorme de informações (vejam o texto em: http://goo.gl/MF9yWW) sempre importantes para as pessoas que tem a astronomia como hobby, atividades práticas em seus estudos e/ou locais onde a ciência astronômica e sua prática observacional é uma constante. As perspectivas já mostram que 2016 será um daqueles anos fantásticos.

Entretanto ficaremos bastante surpresos com o que ainda acontecerá neste mês de dezembro, quando então no céu matutino poderemos apreciar, antecedendo o nascer do Sol os brilhantes planetas Vênus e Saturno, Mercúrio muito embora emergindo na linha do poente, poderá ainda ser localizado já na segunda deste mês, sendo uma opção para as observações telescópica.  A Lua por sua vez no crepúsculo matutino de 07 de dezembro estará bem próxima a Vênus e neste mesmo dia observadores no continente americano (América Central e do norte) poderão acompanhar uma ocultação muito interessante. Da mesma forma Urano também será oculto pelo disco lunar em 20 de dezembro, produzindo um belo fenômeno aos habitantes da parte mais meridional da América do Sul (Patagônia) no sul da Argentina e Chile, uma região marcada por ventos e clima frio. E por falar em marcação neste mês buscamos destacar um dos equipamentos (ao lado de binóculos, lunetas e telescópios) de importância fundamentais do astrônomo (e principalmente ao amador) para os registros de eventos da esfera celeste, então veremos a importância que Horologium representa nesta concepção. Noites estreladas para todos! 

Noite de Astronomia na Casa Branca

O presidente norte-americano Barach H. Obama, realizou pela segunda vez nos jardins da Casa Branca, a segunda edição da White House Astronomy Night que nesta oportunidade ocorreu em 19 de outubro último (figura 2). A primeira edição ocorreu no mês de outubro de 2009, por ocasião do Ano Internacional da Astronomia (International Year of Astronomy). O evento reuniu nesta edição estudantes, professores, astrônomos, engenheiros, cientistas e entusiastas da ciência espacial para uma noite de observação de estrelas, com a finalidade de destacar entre os jovens a importância da astronomia para aumentar o interesse dos alunos em ciências, tecnologia, engenharia e matemática.


Dentre os convidados para essa edição estavam Vivian White, Educadora de astronomia da ASP (Astronomical Society of the Pacific), Tim Spuck do STEM Education Development Officer e também Mike Simmons, presidente da AWB (Astronomers Without Borders).

Ocultações de estrelas pela Lua 

(Subra) Omicron Leonis

Em 01 de dezembro a Lua -63% iluminada e com uma elongação de 105°, ocultará a estrela omicron Leonis (Subra) de magnitude 3.5 e tipo espectral A5V F6II. Esse evento poderá ser observado de forma diurna na América do Norte e no norte da Ásia conforme demonstra a figura 3.


Nota

Este evento marca o fim deste ciclo de ocultações de omicron Leonis (Subra) iniciado em 10 de novembro de 2009, que voltará a repetir-se em 30 de maio de 2028, encerrando-se em 07 de outubro de 2034. 

Zavijava (Beta Virginis) 

Em 04 de dezembro, a Lua -37% iluminada e uma elongação solar de 75° ocultará a estrela Zavijava (Beta Virginis) de magnitude 3.6 e tipo espectral F9V. Esse evento poderá ser observado de forma diurna em regiões da Antártida e no oceano pacífico e durante o crepúsculo na Nova Zelândia e Leste da Austrália de acordo com a figura A, apresentada no quadro 1. 

Entretanto na noite de 31 de dezembro de 2015 para 01 de janeiro de 2016, novamente, a Lua -61% iluminada e com uma elongação solar de 103º ocultará Zavijava. Esse evento então poderá ser observado de forma diurna na região sul do oceano índico, durante o crepúsculo na região leste costeira da África e no período noturno na região meridional daquele continente de acordo com a figura B, apresentada no quadro 1. 

Ocultação de Zaniah (eta Virginis)

Em 05 de dezembro a Lua -31% iluminada e uma elongação solar de 69°, ocultará a estrela Zaniah (Eta Virginis) de magnitude 3.9 e tipo espectral A2IV. Esse evento poderá ser observado na América do Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai). Informações adicionais encontram-se postadas em: http://skyandobservers.blogspot.com/2015/12/a-ocultacao-de-zaniah-eta-virginis-pela.html

Zubenelhakrabi (Gamma Librae)

Em 09 de dezembro a Lua -4% iluminada e uma elongação solar de 22°, ocultará a estrela Zubenelhakrabi (Gamma Librae) de magnitude 3.9 e tipo espectral G8.5III. Esse evento poderá ser observado de forma diurna na região oeste da África meridional, América do Sul e região insular da América Central, de acordo com a figura A, apresentada no quadro 2.

Rho Sagittarii

Em 13 de dezembro a Lua +6% iluminada e com a elongação solar de 28°, ocultará a estrela Rho Sagittarii de magnitude 3.9 e tipo espectral F0III/IV. Esse evento poderá ser observado de forma diurna no sul da América do Norte, América Central e região norte da América do Sul, sendo que a costa oeste da África setentrional e as ilhas localizadas no oceano Atlântico norte, observarão esse evento já em sua parte noturna de acordo com a figura B, apresentada no quadro 2.

Dabih Major (beta Capricorni)

Em 14 de dezembro a Lua 13% iluminada e com a elongação solar de 42°, ocultará a estrela Dabih Major de magnitude 3.1 e tipo espectral F8V+A0. Esse evento poderá ser observado na América do Sul (Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai). Informações adicionais encontram-se postadas em: http://skyandobservers.blogspot.com/2015/12/a-ocultacao-de-dabih-major-pela-lua-em.html


Ancha (Theta Aquarii)

Em 16 de dezembro a Lua 32% iluminada e com a elongação solar de 69°, ocultará a estrela Ancha (Theta Aquarii) de magnitude 4.2 e tipo espectral G8. Esse evento poderá ser observado na América do Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai). Informações adicionais encontram-se postadas em: http://skyandobservers.blogspot.com/2015/12/a-ocultacao-de-ancha-theta-aquarii-pela.html

As Ocultações de Hyadum II, Theta 2 Tauri e Aldebaran em 23 de Dezembro

Em 23 de dezembro ocorrerão ema sequência de ocultações brilhantes da Constelação de Touro, desta forma selecionamos então três dos principais eventos após análise destas circunstâncias, lembrando que outras estrelas daquela região celeste também serão ocultas pelo disco Lunar.

Hyadum II (delta 1 Tauri)
A Lua +95% iluminada e com a elongação solar de 155°, ocultará a estrela Hyadum II (delta 1 Tauri) de magnitude 3.8 e tipo espectral K0-IIICN0.5. Esse evento poderá ser observado no oceano pacífico e na Oceania (Austrália, Nova Caledônia e Nova Zelândia) de acordo com a figura C, apresentada no quadro 2.

Theta 2 Tauri

Em seguida, a Lua +96% iluminada e com a elongação solar de 156°, ocultará a brilhante estrela theta 2 Tauri  de magnitude 3.4 e tipo espectral A7 III. Esse evento então poderá ser observado na América do Norte (Alasca), norte da Ásia (Rússia) e Norte da Europa (Região setentrional e Península Escandinava) de acordo com a figura D, apresentada no quadro 2.

Aldebaran (alpha Tauri)

Desta forma a Lua +96% iluminada e com a elongação solar de 158°, ocultará também  brilhante estrela Aldebaran de magnitude 0.9 e tipo espectral K5+III. Nesta oportunidade então, grande parte da Ásia, Europa e o norte da África acompanharão esse evento. Ele também e observado em regiões da Groenlândia de acordo com a figura E, apresentada no quadro 2.

Lambda Geminorum

Em 26 de dezembro a Lua -98% iluminada e com a elongação solar de 165º, ocultará a estrela lambda Geminorum de magnitude 3.6 e tipo espectral A3V. Esse evento poderá ser observado no nordeste da Ásia (Rússia) e norte da América do Norte (Alaska e Canadá) conforme demonstra a figura F, apresentada no quadro 2.

Ocultação de planetas pela Lua

Marte

Em 06 de dezembro, a Lua -25% iluminada e com a elongação solar de 60º, ocultará o disco do planeta Marte com magnitude 1.5. Esse evento abrangerá a região setentrional do continente africano (costa leste do oceano indico),  sul do Oriente médio em período noturno; já na extremidade sul do subcontinente indiano, sudeste da Ásia e oeste da Austrália, esse evento ocorrerá em período noturno, conforme abaixo apresentado na figura 4.


Vênus

Em 07 de dezembro, a Lua -13% iluminada e com a elongação solar de 43º, ocultará o disco do brilhante planeta Vênus com magnitude -4.2. Esse evento abrangerá a uma região extrema do nordeste da Ásia (Rússia), já em partes da América do Norte (Canadá e Estados Unidos), o evento ocorrerá dentro da faixa do crepúsculo, sendo que na América Central e extremo norte da América do Sul (Colômbia e Venezuela) o evento já ocorre em período diurno, conforme abaixo apresentado na figura 5.

Urano

Em 20 de dezembro, a Lua +66% iluminada e com a elongação solar de 109º, ocultará o disco do planeta Urano com magnitude 5.8. Esse evento abrangerá partes da região Antártida (Península Antártica) e a região sul do continente sul americano (região da Patagônia – Argentina e Chile), conforme abaixo apresentado na figura 6.


Desta mesma forma, a tabela 2 abaixo apresenta as circunstâncias gerais de visibilidade para algumas das principais localidades desta região no continente sul americano.

No Sistema Solar!

Mercúrio (-0.6) que inicia este mês ainda na constelação de Ophiuchus, já a contar do dia 08 estará na constelação de Sagittarius, sendo que buscar sua identificação no horizonte oeste será uma boa prática, uma vez que este ligeiro planeta já no dia 29 estará em sua máxima elongação (20.0ºE) vespertina.  Já buscando o horizonte oposto e durante os crepúsculos matutinos Vênus (-4.1), na constelação de Virgem durante a conjunção com a Lua (figura 7) e também na ocultação, vem diminuindo suas respectivas elongações. Ele estará na constelação de Libra já a contar de 12 de dezembro.  

Marte (1.6) também naquela região celeste vem nascendo cada vez mais cedo com o aumento de suas elongações. Júpiter (-2.1) por sua vez vem dominando as madrugadas deste mês na constelação de Leão sendo que nos últimos dias deste mês, ele ficará mais brilhante (magnitude de -2.2). Saturno (0.5) que passou por sua conjunção com o Sol em 29 de novembro, ainda terá sua visibilidade prejudicada, entretanto de acordo com a tabela 3 abaixo, as condições observacionais dar-se-á o dia 17 deste mês. Enquanto (134340) Plutão na constelação de Sagittarius, mergulha para sua conjunção com o Sol em janeiro próximo, a carga de informações da missão Novos Horizontes surpreende a cada mês; quanto ao mais próximo dos Planetas Anões, a missão Dawn, que já iniciou em 23 outubro passado sua trajetória para a órbita final em torno de (1) Ceres, em meados deste mês já poderá detalhar imagens com uma resolução de 35 metros por pixel através de sua câmera. Este planeta anão encontra-se na constelação de Capricórnio e suas elongações diminuindo a cada dia, fazem com que seu respetivo brilho (magnitude 9.3) diminua também.

As elongações favorecem a sua busca dentre as brilhantes estrelas (sigma Aqr, mag 4.8, 58 Aqr, mag 6.3 e HIP 11398, mag 6.5) na constelação de aquário, elas denunciarão o disco planeta Netuno (7.9) naquela região celeste. Ele poderá ser observado na primeira parte da noite com telescópios de 100mm de abertura ótica. Da mesma forma poderemos localizar o disco do planeta Urano (5.8) na constelação de Peixes, dessa forma 73 Psc (mag. 6.0) e WW Piscium continuam sendo balizadoras para sua fiel localização. Na data da ocultação deste planeta pelo disco lunar acima referenciada, será uma boa oportunidade para os observadores que não observarão este evento, localizarem seu disco esverdeado.

Sol = O quadro 3 abaixo, apresenta alguns elementos úteis a observação solar neste mês como: e (P.H) = Paralaxe Horizontal, (PO°) = Ângulo de Posição da extremidade Norte do disco solar, (+) E; (-) W, (BO°) = Latitude heliográfica do centro do disco solar (+) N; (-) S, (LO°) = Longitude heliográfica do meridiano central do Sol e ainda, (NRC) Número de Rotação Solar de Carrington da série iniciada em novembro 1853 9,946.

Lua = As fases lunares neste mês, ocorrerão nas datas e horários abaixo mencionadas em Tempo Universal de acordo com a figura 8.

A ocorrência das apsides lunares dar-se-á neste mês na seguinte sequência: Apogeu em 25/12 às 14:57 (UT = Universal Time), quando a Lua estará a 404.799 km do centro de nosso planeta; já o Perigeu ocorrerá em 21/12 às 08:54 (UT = Universal Time) quando então a Lua estará somente a 368.417 km do centro da Terra.

Asteroides

As Hyades na constelação de Touro, cuja referência fizemos no mês anterior ainda contará com a presença do asteroide (16) Pysche (com a magnitude 9.4) cuja oposição prevista para 09 de dezembro próximo poderá ser facilmente localizado próximo à estrela 104 Tauri próximo ao braço de Órion (carta de busca e efemérides disponíveis em: http://goo.gl/5pXRn4). Não muito longe deste ponto, o asteroide (63) Ausônia (com a magnitude 11.2) poderá ser localizado na constelação de Auriga, o Cocheiro, próximos às constelações de Touro e Gêmeos (carta de busca e efemérides disponíveis em: http://goo.gl/pdNKRI), sua oposição está prevista para 22 de dezembro. Entretanto um dos mais brilhantes asteroides deste ano será (27) Euterpe (com a magnitude 8.4), talvez a proximidade do disco lunar poderá prejudicar suas observações, entretanto a proximidade das brilhantes estrelas Propus, magnitude 3.3 e 1 Gem de magnitude 4.3 (carta de busca e efemérides disponíveis em: http://skyandobservers.blogspot.com/2015/12/o-asteroide-27-euterpe-em-2015.html), sua oposição em 25 de dezembro será a última deste profícuo ano de realizações.

Cometas

C/2013 US 10 CATALINA

Novamente essa história será diferente. Em setembro passado tivemos a oportunidade de descrever a observação do Cometa C/2013 US 10 CATALINA, realizada com um telescópio de boa abertura ótica (635mm (detalhes deste equipamentos disponíveis em: http://goo.gl/sFE8Z7) no observatório Wykrota (IAU Code 859) realizada em na noite de 15 de agosto 2015. Lembramos o fato ainda que: “naquela mesma noite o observador William Souza de Campinas - Brasil, registrou fotograficamente (16.02 UT - 16 Aug. 2015)” conforme podemos novamente apreciar a fotografia abaixo (figura 9).


E porque essa história agora será deferente? Simples, muito embora ele possa neste período ser localizado na constelação da Ursa Maior, portanto acessível a maioria dos observadores do hemisfério setentrional; após a ocorrência de sua conjunção com o Sol no mês passado, ele retorna ao céu matutino com magnitudes ainda mais favoráveis a observação e registros do que as realizadas em agosto de 2015. 

A tabela 4 acima apresenta essas respectivas magnitudes sendo uma boa oportunidade para registrar esse cometa com telescópios de médio porte.

CONSTELAÇÃO:

Horologium 

Constelação austral compreendida entre as ascensões retas de 2h 12min e 4h 18min e as declinações de -39º,8 e -67º,2. Situada próximo do pólo sul celeste, é limitada ao sul pela constelação de Hudrus (Hidra Macho), a oeste por Reticulum (Retículo), Dorado (Dourados) e Caelum (Buril), ao norte por Eridanus (Eridano), e a leste por esta última constelação e parte de Hydrus (Hidra Macho), ocupando uma área de 249 graus quadrados. E muito fácil reconhecê-la por estar situada próxima de Achernar (Alfa do Eridano), uma das estrelas mais brilhantes do hemisfério sul. Foi descrita pela primeira vez pelo astrônomo francês Nicolas-Louis de La Caille, em Caelum Australe Stelliferum (1763). Sua designação é uma referência ao relógio, um dos instrumentos fundamentais do astrônomo. (MOURÃO, 1987). 

Realmente é um fato de amplo conhecimento, que as estrelas que constituem essa constelação não chamarão de imediato à atenção dos astrônomos, sobretudo aqueles que dão seus primeiros passos rumo ao conhecimento da esfera celeste, mas nem por isso essa constelação (figura 10) deixará de apresentar alguns atrativos que certamente convidarão os atentos observadores a se interessar por essa região celeste e os motivos ficam evidenciados pelos seguintes aspectos. Alfa Horologii (Magnitude 3.8, tipo e classe espectral K2III) e uma estrela gigante alaranjada, cuja distância ao Sol e estimada em 115 anos luz, sendo que sua velocidade radial de afastamento encontra-se estimada em 22 quilômetros por segundo (KALER, 2015). Apesar da designação de Bayer apresentada para essa estrela, Beta Horologii não é a segunda estrela mais brilhante desta constelação. Na realidade essa estrela é uma gigante branca (magnitude 4.9, classe e tipo espectral A6III), cuja distância estimada ao sol é algo em torno de 295 anos-luz (KALER, 2011). Essa segunda estrela mais brilhante então será Delta Horologii, uma estrela de magnitude 4.9, branco amarelada que possui classe espectral F2Vn. Na realidade uma estrela dupla, sua distância encontra-se estimada em 179.2 anos-luz do Sol.  Já Lambda Horologii é uma estrela simples (magnitude 5.3, classe e tipo espectral F2IV-V) também de coloração branco amarelada, cuja distância é estimada em 161 anos-luz. Teremos uma leitura semelhante para Zeta Horologii (magnitude 5.2, classe e tipo espectral F6V) com uma distância ao Sol de 159 anos-luz. 

Eta Horologii

Embora seja esse conjunto, um sistema triplo de estrelas sendo que observações realizadas entre 2011 até 2014, já indicam um período de 3.22 anos (± 0.06) para o sistema principal (WDS, 2015) conforme podemos vislumbrar pelo diagrama orbital na figura 11 abaixo.

Iota Horologii

Outra boa surpresa dessa constelação e Iota horologii, (magnitude 5.4, tipo e classe espectral GOV) uma anã amarela-alaranjada muito semelhante ao Sol, 18 Scorpii e HIP 102152, essas realmente cópias idênticas a nossa estrela embora mais nova que ele seja 18 Sco e mais a velha seja HIP102152. Cerca 55 anos-luz de distância ao Sol e apresentando um movimento próprio anual muito próximo das demais componentes do aglomerado aberto das Hyades, pois um grande número de estrelas que se movem na mesma direção, conforme estudos publicados por Sylvie Vauclair e equipe (VAUCLAIR et al, 2008).


HR 810 b

Mas as surpresas dessa estrela não param, pois antes disso em 29 de julho de 1999, uma equipe de astrônomos lideradas por Martin Kürster do European Southern Observatory (ESO) no Observatório de La Silla (Chile), descobriu em torno de Iota Horologii um planeta extrasolar do tipo joviano foi descoberto orbitando essa estrela. A respectiva massa deste objeto e estimada em torno de 2.26 (± 0.18) do planeta Júpiter, conforme podemos visualizar na figura 12 abaixo.


Variáveis LPV em Horologium

As surpresas desta constelação ainda não serão finalizadas uma vez que aquela região também é um pano de fundo, para diversas estrelas variáveis e principalmente, dentro do alcance de instrumentação de pequeno e médio porte que a maioria de nossos observadores é proprietário.

Novamente selecionei as principais estrelas variáveis observadas no último mês (AAVSO, 2015) que também são conhecidas; e importante ainda mencionar que observações dessas estrelas estão vem sendo constante reportadas junto a AAVSO (American Association of Variable Star Observers) pelos observadores, Andrew Pearce da Austrália e Dave Blane da África do Sul. São elas: R, S, T, V, RT e SW Horologii cujas efemérides para os próximos períodos entre máximos e mínimos encontraremos no quadro 4 abaixo.

O Aglomerado Globular NGC 1261

Muito embora não seja o Aglomerado Aberto NGC 1261, um daqueles fantásticos objetos de céu profundo (Deep-sky Objects) que vão tirar o fôlego de nossos observadores em princípio, particularmente eu não deixaria a luneta de busca deu meu equipamento sem uma procura por esse objeto (figura 13).  Observadores experientes recomendam iniciar essa busca utilizando uma ocular de grande campo nas proximidades de TW Horologii, uma variável semirregular tardia, que possuí um período de 270.3 d, variando entre máximos e mínimos 5.52 - 5.95 V magnitudes.

Esse Aglomerado Globular não é nenhuma cereja de bolo para Stars Parties (mesmo que ela seja realizada nos Jardim da Casa Branca), mas observadores utilizando um telescópio refletor de 7 polegadas e aumentos da ordem de 72 vezes, já reportam “um núcleo extremamente brilhante e bordas distorcida”  (O'MEARA, 2002), uma sugestão ainda será o emprego constante da visão periférica para distinguir as estrelas de seu núcleo.

Eu tenho certeza que a persistência será coroada com uma série de boas observações dessa região celeste. Então assim novamente aproveito a oportunidade para desejar a todos os amigos (as) que compartilham as belezas das noites estreladas meus votos de boas festas e um novo ciclo repleto de realizações astronômicas.

Boas Observações!
Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2015. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2014. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2015.pdf> Acesso em: 08 dez. 2014.

- BURNHAM Jr, Robert. – Burnham's Celestial Handbook. Dover Publications, Inc., 1978. ISBN 0-486-23568-8 p. 1221/1222.– Inc. New York – USA, 1978.

- AMORIM, Alexandre. Anuário Astronômico Catarinense 2015. Florianópolis: Ed: do Autor, 2014. 180p.
  
- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 11 Jan. 2015.

- KALER, James B. Disponível em: <http://stars.astro.illinois.edu/sow/alphahor.html> - Acesso em 15 Nov. 2015.

- ____. (21 Jan. 2011) Disponível em: <http://stars.astro.illinois.edu/sow/betahor.html> - Acesso em 16 Nov. 2015. 

- O'MEARA, Stephen James. MOORE, Patrick - The Caldwell Objects - Cambridge University Press / S&T, 2002. Disponível para Download em: <http://akclas.ru/books/caldwell.pdf> - Acesso em 29 Abr 2015.

- VAUCLAIR, Sylvie. Astronomy and Astrophysics, Volume 482. Issue 2. A&A 482, L5–L8 (2008) DOI:10.1051/0004-6361:20079342. Available in < http://www.aanda.org/articles/aa/pdf/2008/17/aa9342-07.pdf> Acess in: 24 Nov 2015.

- AAVSO.ORG. AAVSO LPV Circular for Oct 14, 2015 to Nov 13, 2015! E-Mail [Personal Communication]. Message received by arcampos_0911@yahoo.com.br 13 Nov. 2015, 01:21 (PM).

- AWB. Newsletter November 10, 2015. [E-Mail] Message received by arcampos_0911@yahoo.com.br  11 Nov. 2015 3:41 (AM).

- _____. Events. < https://plus.google.com/u/0/events/c0efnp9q1qnggtaq0dg2jog528c> Acess in: 19 Nov. 2015.

- VLASOV Michael. Deep Sky Objects Illustrated Observing Guide. 109p. SAC 7.7 database. Data courtesy of the Saguaro Astronomy Club (saguaroastro.org) Disponível em: <http://www.deepskywatch.com/files/dso-guide/DSO-observer-guide-full.pdf>. Acesso em: 10 Nov. 2015.

- General Catalog of Variable Stars (GCVS) Sternberg Astronomical Institute, Moscow (Sep., 2009, Epoch 2000): Disponivel em: < www.handprint.com/ASTRO/XLSX/GCVS.xlsx> – Acesso em: 16 Jul. 2015.

Washington Double Star Catalog (WDS) - Double Star Database. Available in <http://stelledoppie.goaction.it/index2.php?iddoppia=118504>– Acess in: 16 Nov. 2015.

A ocultação de Zaniah (Eta Virginis) pela Lua em 05 de dezembro 2015!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 05 de dezembro próximo, a Lua -31% iluminada e uma elongação solar de 69°, ocultará a estrela Zaniah (Eta Virginis) de magnitude 3.9 (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado numa grande extensão da superfície terrestre.

Observadores localizados na América do Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai), poderão acompanhar esse evento, conforme e apresentado na tabela 1 respectivamente.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo apresentamos o mapa global (figura 2) com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange demais ilhas localizadas nos oceanos Atlântico e Pacífico. 

Zaniah

Estrela azul de magnitude 3.9 e classe espectral A2IV, situada à distância de 38 anos-luz, está situada próximo ao ponto de interseção do equador com a eclíptica, e que marca a posição do Sol, no início do outono no hemisfério norte e o começo da primavera no hemisfério sul. Seu nome designa também a região dos cães vigias;  (MOURÃO, 1987). O alto interesse nas observações das ocultações dessa estrela prende-se ao fato dessa estrela ser um conjunto binário conforme podemos vislumbrar através da figura 3.


Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2015. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2014. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2015.pdf> Acesso em 24 dez. 2014.

- HERALD, David. Occult v 4.0.8.18, (IOTA). Disponível em <http://www.lunar-occultations.com/iota/occult4.htm>. Acesso em: 09 set. 2014. Windows 7/ Professional.

- WDS Washington Double Star Catalog: Epoch 2014.01. Disponível em: <http://www.handprint.com/ASTRO/>. Acesso em: 10 set. 2014.

A ocultação de Dabih Major pela Lua em 14 de dezembro 2015!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 14 de dezembro próximo, a Lua +13% iluminada e uma elongação solar de 69°, ocultará a estrela Dabih Major (beta Capricorni) de magnitude 3.1 (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado numa grande extensão do continente sul americano.

Assim sendo, observadores localizados na América do Sul (Argentina, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai), poderão acompanhar esse evento, conforme apresentado na tabela 1 respectivamente.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo apresentamos o mapa global (figura 2) com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange ilhas localizadas nos oceanos Atlântico e Pacífico sul. 

Dabih Major

Beta Capricorni é uma dupla fácil de observar, oferecendo um contraste de cores muito boas para o pequeno telescópio. As duas estrelas (figura. 3) compartilham um movimento próprio comum em cerca de 0,04" por ano; a separação projetada é 9.400 UA, (Burnham, 1978). Dabih está situada a 500 anos luz  de distância e sua luminosidade é de cerca de 1.500 vezes a do Sol. Beta B é uma estrela dupla de magnitude 6.1 que forma com ela um par ótico (Mourão, 1987).

A estrela brilhante é uma tripla espectroscópica, com períodos de 8.678 e 1.374 dias. Thomas William Webb também menciona um par minúsculo entre os componentes, com uma separação de 6,4" e AP de 322°,  sendo ambas as estrelas de 13ª magnitude.

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa - Almanaque Astronômico Brasileiro 2015, Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), Belo Horizonte (MG) - 2014, 118P.

- BURNHAM, Robert Jr. – Burnham´s Celestial Handbook (23567-X, 23568-8, 23673-0)– An Observer´s Guide to the Universe beyond the Solar System – Vol. One – Dover Publications, Inc. New York – USA, 1978. 

- Astronomical Software Occult v4.1.0.27 (David Herald - IOTA) - acesso em 19/12/2014.

- Cartes du Ciel - Version 3.8, Patrick Chevalley -  http://www.ap-i.net/skychart - acesso em 19/02/2013.

A ocultação de Ancha (Theta Aquarii) pela Lua em 16 de dezembro 2015!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 16 de dezembro próximo, a Lua +32% iluminada e uma elongação solar de 69°, ocultará a estrela Ancha (Theta Aquarii) de magnitude 4.1 (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado numa grande extensão da superfície terrestre.

Assim sendo, os observadores localizados no continente sul americano (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Paraguai e Uruguai), poderão acompanhar esse evento, conforme e apresentado na tabela 1.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo apresentamos o mapa global (figura 2) com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange demais ilhas localizadas nos oceanos Atlântico e Pacífico.

Theta Aquarii 

Theta Aquarii também conhecida como Ancha, seu nome latino, que parece ter surgido na Idade Média, significa o quadril, pois ela está situada no quadril do aguadeiro (Mourão, 1987), e uma estrela gigante alaranjada de classe espectral G8III-IV que se encontra a 192 anos-luz do sol aproximadamente. A figura 3 abaixo apresenta maiores detalhes sobre esta estrela. 

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2015. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2014. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2015.pdf> Acesso em 24 dez. 2014.

- BURNHAM, Robert Jr. – Burnham´s Celestial Handbook (23567-X, 23568-8, 23673-0)– An Observer´s Guide to the Universe beyond the Solar System – Vol. One – Dover Publications, Inc. New York – USA, 1978. 

- Astronomical Software Occult v4.1.0.27 (David Herald - IOTA) - acesso em 19/12/2014.

- Cartes du Ciel - Version 3.8, Patrick Chevalley -  http://www.ap-i.net/skychart - acesso em 19/02/2013.

O asteroide (27) Euterpe em 2015!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 25 de dezembro próximo, o asteroide Euterpe estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = +0.995), quando então sua magnitude chegará a 8.4, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de pequeno porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa, objetivando sua localização nos próximos dias. 


Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 27 Euterpe foi descoberto em 08 de novembro de 1853 pelo astrônomo inglês John Russel Hind (1823-1895) no Observatório de Londres. O seu nome é alusão à musa da música (MOURÃO, 1987).

Notas:
1 = (ua)* Unidade Astronômica. Unidade de distância equivalente a 149.600 x 106m. Convencionou-se, para definir a unidade de distância astronômica, tornar-se como comprimento de referência o semi-eixo maior que teria a órbita de um planeta ideal de m=0, não perturbado, e cujo período de revolução fosse igual ao da Terra.

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2015. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2014. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2015.pdf> Acesso em 03 dez. 2014.

Reporte Observacíon - Leónidas

LIADA  LIGA IBEROAMERICANA DE ASTRONOMÍA
Sección Materia Interplanetaria: Meteoros y Bólidos


Pável Balderas Espinoza  
pavelba@hotmail.com
Coordinador General 
Sección Materia Interplanetaria
Tarija-Bolivia

Lluvia observada: LEÓNIDAS
Observador: PÁVEL BALDERAS ESPINOZA
Fecha: 17/11/2015
Dirección correo electrónico: pavelba@hotmail.com
Lugar de observación: SANTA ANA TARIJA BOLIVIA
Latitud: -21º 31’ S Longitud:  -64º 45’ O Altura: 1900 msnm
Región observada: Nubosidad: Inicio:0/8 Final:0/8 Obstáculos: NO
Tiempo de registro por meteoro            Anotación:     10 SEG. 
Periodos de Observación (U. T.) Inicio:06 hrs. 15 min. UT Final:07 hrs.15 min. UT
Inicio: 07 hrs.30 min. UT Final: 08 hrs.30 min. UT


Grupo de Reconhecimento e Estudos do Céu: o que estamos aprendendo?

Novembro 2015

Aléxia Lage de Faria
alagef@gmail.com

“Equipado com seus cinco sentidos, o homem explora o universo que o cerca 
e chama essa aventura de Ciência.”
Edwin Hubble

O Grupo de Reconhecimento e Estudos do Céu [1] tem como objetivo criar e manter a cultura da observação e reconhecimento da esfera celeste entre os associados recém-ingressos nos quadros do CEAMIG – Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais (CAMPOS, 2014). Os membros se reúnem aos sábados para estudo teórico e/ou prático e mensalmente realizam observações, quando as condições do tempo assim permitem. 

Durante as reuniões do grupo, realizadas no período de 17/10/2015 a 21/11/2015, os seguintes tópicos foram estudados:

1. Estrelas Variáveis Extrínsecas, Temperaturas, Tipos Espectrais e Classes de Luminosidade das Estrelas, Índice de Cor e o Diagrama Hertzsprung-Russell,

2. A poluição luminosa e suas consequências para a qualidade do céu e as observações astronômicas.

3. A Via Láctea e os objetos do céu profundo.

Na parte prática, foi dado início ao Programa Observacional de Nebulosidade, inicialmente para treinamento dos observadores na coleta de estimativas até o final do mês de novembro. A partir de 1°de dezembro de 2015 até 1°de dezembro de 2016, será realizado oficialmente o programa. O objetivo é diariamente estimar o grau de nebulosidade do céu, em uma determinada área, e sempre no mesmo horário. Ao final, serão calculadas as médias individuais mensais do índice de nebulosidade e, por fim, a média geral do índice para cada mês do ano.

Dentre os diversos assuntos estudados, destaca-se em especial o entendimento do conceito do Diagrama Hertzsprung-Russell, aprendido durante o estudo do item 1 acima referenciado.

E o que aprendemos sobre o Diagrama Hertzsprung-Russell?

É uma representação gráfica das estrelas, conforme seus tipos espectrais e sua magnitude absoluta, sendo agrupadas em zonas de certas características ligadas à sua estrutura interna e idade (MOURÃO, 1987, p. 236).  Pode-se correlacioná-las também com a luminosidade.

A magnitude absoluta é a magnitude que teria uma estrela se fosse colocada a uma distância padrão de 10 parsecs. A magnitude absoluta do Sol é 4,85. (MOURÃO, 1987, p. 236). Já a luminosidade refere-se à quantidade total de energia luminosa emitida em uma unidade de tempo por um astro (MOURÃO, 1987, p. 484). A luminosidade do Sol é 1.

O astrônomo dinamarquês Ejnar Hertzsprung, em 1905, criou um gráfico relacionando, para cada estrela, a sua magnitude absoluta (eixo vertical) com o seu índice de cor (eixo horizontal). Posteriormente, o astrônomo norte-americano Henry Norris Russell percebeu a mesma correlação, mas em vez de utilizar o índice de cor, relacionou cada estrela ao seu tipo espectral (ALMEIDA, 2000, p. 106).

Entendendo o Diagrama de Hertzsprung-Russel

A primeira observação que podemos fazer a respeito do Diagrama H-R (veja Figura 1) é a distribuição das estrelas em áreas distintas, conforme suas características. Ao centro e diagonalmente no diagrama, acha-se uma grande faixa, denominada Sequência Principal. É nela que se encontra o Sol e se concentram a grande maioria das estrelas. As estrelas gigantes vermelhas e as supergigantes situam-se acima da Sequência Principal. As estrelas gigantes azuis localizam-se na região superior esquerda do diagrama. E as anãs brancas, na porção inferior do gráfico, logo abaixo da Sequência Principal.

Figura 1 - Diagrama Hertzsprung-Russell. Adaptação do diagrama obtido em (BLOGODISEA, 2010).

Além dessa organização, nota-se no eixo horizontal uma escala de cores, ordenada por uma sequência de letras O-B-A-F-G-K-M. As estrelas são visualizadas com diferentes cores conforme as suas temperaturas superficiais. A partir dos estudos dos espectros das estrelas, observou-se que eles estavam relacionados às condições térmicas estelares. Então, essa sequência de letras indica uma ordenação de temperatura superficial que decresce à medida que se vai da letra O para a letra M (ALMEIDA, 2000, p. 103).

Observando-se o esquema interpretativo mostrado na Figura 2, na direção do eixo vertical da Magnitude Absoluta, percebe-se que as estrelas mais brilhantes encontram-se dispostas na parte superior do diagrama, e as de menor brilho, estão situadas na parte inferior. 

O mesmo ocorre com a luminosidade das estrelas (eixo vertical da Luminosidade). As estrelas que emitem maior quantidade de energia luminosa encontram-se na parte superior do diagrama e as de menor quantidade de energia emitida, encontram-se na porção inferior.

Seguindo-se agora a direção do eixo horizontal, observa-se que as estrelas de maior temperatura encontram-se à esquerda do diagrama, enquanto as mais frias, situam-se no lado direito. 

Figura 2 - Esquema interpretativo do Diagrama Hertzsprung-Russell. Adaptado do esquema obtido em (CENDRERO, 2011).

As estrelas passam por mudanças nas suas estruturas internas ao longo do tempo, e que implicam em alterações no seu tamanho, temperatura e luminosidade. Em alguns milhões de anos, quando essas mudanças ocorrerem, a estrela começará a se deslocar da Sequência Principal ao longo do diagrama Hertzprung-Russell. Por essa razão, este diagrama é um instrumento fundamental para o entendimento do processo evolucionário de uma estrela (OBSERVATÓRIO NACIONAL, 2013).

[1]  No dia 07 de novembro, foi definido oficialmente que o grupo agora passa a ser denominado como Grupo de Reconhecimento e Estudos do Céu – GREC.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA, Guilherme de; RÉ, Pedro. Observar o céu profundo. Lisboa: Plátano Edições Técnicas, 2000. 339p.

CAMPOS, Antônio Rosa. (arcampos_0911@yahoo.com.br). [Ceamig] Grupo de Estudos de Reconhecimento do Céu! [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por ceamig@yahoogrupos.com.br em 24 nov. 2014.

MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1987. 914p. (Obra de referência).

BLOGODISEA. El diagrama H-R (Hertzsprung-Russel). 03 jul. 2010. Disponível em <http://www.blogodisea.com/diagrama-h-r-hertzsprung-russell.html>. Acesso em: 25 ago 2015.

CENDRERO. Cien años del diagrama de Hertzsprung-Russell, el gráfico que organizó las estrelas. 8 set. 2011. Disponível em: <http://naukas.com/2011/09/08/cien-anos-del-diagrama-de-hertzsprung-russell-el-grafico-que-organizo-las-estrellas/>. Acesso em: 25 ago 2015.

OBSERVATÓRIO NACIONAL. O Diagrama Hertzsprung-Russel. 2013. Disponível em: <http://www.on.br/ead_2013/site/conteudo/cap15-diagrama/diagrama_hr.html>. Acesso em: 22 nov. 2015.

Dois cemitérios guardam curiosidades únicas

Nelson  Travnik*
nelson-travnik@hotmail.com
Observatório Astronômico de Piracicaba-SP

Finados já aconteceu. Saudades, lembranças, preces e instantes de reflexão. A palavra cemitério vem do grego ‘koimeterion’ e significa ‘lugar onde dormir’. Em meio a jazigos ricamente construídos, deparamos com alguns contendo belíssimas frases e mensagens afetivas expressando o sentimento dos familiares. “Fui quem tu és, serás como eu sou” é a frase que está no portal de um cemitério em Minas e que nos leva a refletir sobre a efemeridade da vida. Ver que somente a moralidade de nossas ações perpetua e confere beleza e dignidade a nossa existência. 

OS  MARCADORES  DO  TEMPO

O tempo determina inexoravelmente a duração da nossa existência e o mais antigo instrumento concebido pelo homem para medir isto é o relógio do Sol. A partir de uma simples estaca no chão, os relógios do Sol evoluíram em formas e tamanhos objetivando determinar a hora e com isto as estações do ano e o calendário com a maior precisão possível. De extraordinário valor pedagógico, histórico, cultural e turístico, eles se encontram nas mais variadas formas em praças, escolas, paredes de prédios, igrejas, conventos, mosteiros, fazendas antigas e estações de trem. No Brasil o mais antigo fica na parede da igreja de São Francisco Xavier em Niterói, fundado pelo padre José de Anchieta em 1572. Outro bastante antigo encontra-se em Tiradentes, MG, instalado em 1712 em frente a igreja de Santo Antonio.  O existente na Praça Nossa Senhora da Conceição em Franca, SP, construído pelo frei Germano d’ Annecy em 1886, é considerado o mais bonito. De várias faces, foi construído com mármore de carrara. No País existem mais de 220 desses aparelhos.

RELÓGIOS  DO  SOL  EM  CEMITÉRIOS ?

Por mais estranho que possa parecer, existem no Brasil dois relógios do Sol em cemitério. E todos eles em Minas Gerais. São de astrônomos  que perenizam sua devoção a ciência do céu. O primeiro se encontra em Belo Horizonte, no Cemitério do Bonfim. Foi construído pelo escultor Eustáquio Pinto a pedido do pai do falecido senhor Fenelon Ribeiro que foi associado do Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais, CEAMIG. Não há data de sua construção, mas é certo que foi entre os anos de 1980 e 1990.  O segundo por mim construído em 2006 encontra-se instalado no Cemitério Municipal de Matias Barbosa, MG, no túmulo perpétuo da família Travnik. É do tipo vertical em mármore branco  contendo um Sol radiante. As pessoas que visitam o túmulo constatam que ele marca a hora certa. Pequena diferença fica por conta da chamada ‘equação do tempo’ pois ele marca a hora solar verdadeira.  A fotografia abaixo mostra detalhes do relógio.

*Nelson Travnik é astrônomo, diretor do Observatório Astronômico de Piracicaba, SP, e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.

Astrônomos comemoram o Dia Nacional da Astronomia - O dia do Astrônomo

Nelson alberto Soares Travnik
nelson-travnik@hotmail.com
Observatório Astronômico de Piracicaba - SP

A grata efeméride foi escolhida durante o 2º Encontro de Astronomia do Nordeste, celebrado em Recife/PE, de 30 de junho a 3 de julho de 1978, quando astrônomos aprovaram por unanimidade o título de “Patrono da Astronomia Brasileira” a D. Pedro II (1825-1891). A escolha do dia 2 de dezembro celebra a data de nascimento do imperador, tido como o mais erudito governante do País. A partir da escolha a efeméride ganhou força e a data passou a comemorar o Dia Nacional da Astronomia, o Dia do Astrônomo.

MOTIVOS

Foram muitos. Como astrônomo amador, modernizou o Imperial Observatório do Rio de Janeiro criado por seu pai, D. Pedro I, contratando astrônomos europeus de renome para aqui trabalhar. Tinha um quarto privativo no Observatório para descansar após horas de observação. Instalou um observatório no telhado do Palácio Imperial de São Cristovão, hoje Museu Nacional, onde atendia alunos ministrando conhecimentos da ciência do céu. 

Mesmo sob forte oposição do Parlamento, concedeu verbas necessárias para três missões científicas para que os astrônomos pudessem observar a rara passagem do planeta Vênus pelo disco solar em 6/12/1882, fenômeno que iria se repetir somente em 8/6/2004. Os dados obtidos foram um sucesso permitindo calcular com precisão a distância Terra – Sol. Junto com o astrônomo Luiz Cruls, o imperador efetuou a primeira análise espectroscópica de um cometa e observou o eclipse solar de 1857. 

Mantinha contato com renomados astrônomos europeus dentre eles Camille Flammarion (1842-1925) que o convidou para a inauguração do seu Observatório de Juvisy em 29/7/1887. Na ocasião com uma observação do planeta Vênus,  D. Pedro II inaugurou  a luneta de 24 cm, concedeu a Flammarion a “Comenda da Ordem da Rosa” e plantou um cedro do Líbano nos jardins do observatório que existe até hoje! 

Verifiquei isso quando visitei o Observatório em 17/09/2011. Uma placa ao lado da árvore assinala o gesto do nosso imperador. Um outro famoso astrônomo, o alemão, Ernst Wilhelm Leberecht Tempel (1821-1889), um dos maiores caçadores de cometas do século 19, tinha grande admiração por D. Pedro II. Em 27/02/1877 o imperador resolveu visitá-lo pessoalmente. Antes disso, em 1873, através do Barão de Javari (João Alves Loureiro) havia concedido a Tempel a “Comenda da Ordem da Rosa”, por suas descobertas. D. Pedro II costumava dizer que se não fosse imperador gostaria de ser professor. Acredita-se que tamanha devoção ao céu veio através do litógrafo e artista francês Louis Boulanger (1798-1874) e de Frei Pedro de Santa Mariana (1782-1864). 

D. Pedro II doou vários instrumentos seus ao Imperial Observatório e importou um círculo mural, uma pendula sideral, uma luneta meridiana e aparelhos magnéticos e meteorológicos. Mas faltava um telescópio de grande porte e ele foi encomendado na Inglaterra. Desgraçadamente o navio que transportava o instrumento chegou ao Rio justamente na ocasião da Proclamação da República e os republicanos não perderam tempo: mandaram o telescópio de volta! Em 1890, já no exílio, D. Pedro II foi homenageado com o nome do asteroide Brasília de número 293, descoberto no Observatório de Nice, França, pelo astrônomo A. Charlois (1864-1910). Sua devoção a astronomia certamente levou seu espírito muito além do asteroide, para junto das estrelas.
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Nelson Travnik é diretor do Observatório Astronômico de Piracicaba, SP, e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.