sexta-feira, 1 de julho de 2016

O céu do mês – Julho 2016

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Companheiros e companheiras das jornadas observacionais! 

O céu certamente continuará a presentear a todos os observadores com fantásticas configurações celestes, entretanto não posso deixar de registrar logo de início a felicidade que tivemos no dia 05 junho a felicidades de completar seis anos de edição e também a alegria em poder tomar conhecimento que os integrantes da ANRA - Associação Norte-riograndense de Astronomia; muito embora tenha que deixar com todos vocês um “até breve” a essas postagens mensais vamos primeiramente as coisas do céu. Em 04 de julho próximo, nosso planeta encontrar-se-á no afélio, quando então sua distância do Sol está estimada em  = 1.01675 (ua); as fantásticas ocultações provocadas pela Lua na constelação de Touro, já estarão ocorrendo ainda durante a leitura deste post, sendo que elas voltarão a ocorrer ao final deste período. Mas observadores localizados na região austral da África serão brindados com uma ocultação diurna do disco Joviano, enquanto que em 23 de julho observadores localizados na costa leste da América do Norte poderão acompanhar uma ocultação do disco do Planeta Netuno. Chamo a atenção para esses eventos uma vez que em outras regiões dar-se-á a ocorrência de conjunções como a registrada pelo observador Hélio de Carvalho Vital em 11 de junho último no Brasil. Ele reporta também os registros da presença de Vênus a apenas 6° do Sol, ainda retornando ao crepúsculo vespertino. Uma grande alegria e ver tão importantes resultados observacionais com dados oriundos do PON (Programa Observacional de Nebulosidade) e também o PTO (Programa de Treinamento Observacional) realizado pelos integrantes do Grupo de Reconhecimento e Estudos do Céu do Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais (CEAMIG), cuja primeira turma foi denominada de forma admirável como: “Turma Andrômeda” em recordação aos estudos bianual cujo limiar já se avizinha. Por falar em constelação eu não posso deixar de mencionar o ser mitológico que foi morto por Hércules. Muito embora a figura do Dragão seja representativa e sua espécie terrestre mais próxima seja o Dragão-de-komodo ou crocodilo-da-terra. Draco também possui encantos reveladores em sua região celeste. Noites estreladas para todos!

Ocultação diurna de Júpiter em 09 de julho

Durante a manhã do dia 09 de julho próximo, a Lua +25% iluminada e com a elongação solar de 61º ocultará o disco do planeta Júpiter (diâmetro equatorial aparente 33.54"), neste instante com magnitude visual -1.8 conforme apresentado na figura 2.

Essa ocultação será visível no hemisfério Sul abrangendo grande parte da região sul do continente Africano (África do Sul, Lesoto, Suazilândia, sul do Zimbábue e Moçambique) bem como também no oceano Indico (Madagascar, Maurício e Ilha Reunião), abrangendo também regiões remotas austrais no oceano índico e na Antártica. 

A tabela 2 abaixo apresenta as circunstâncias gerais de visibilidades para algumas das principais localidades naquela região do continente africano, sendo que é previsto a duração de +/-42.2 segundos em média para as fases de imersão e emersão total do disco do planeta no limbo lunar. 

Ocultação de Netuno em 23 de julho

Em 23 de julho a Lua -88% iluminada e com a elongação solar de 139° ocultará o disco do planeta Netuno (diâmetro aparente = 2.30") neste instante com magnitude visual 7.8, cuja faixa de totalidade no período noturno abrange grande parte da América do Norte (Estados Unidos e Canadá) e diurna em partes da Europa setentrional no Mar da Noruega, conforme apresentado na figura 3.  

É importante mencionar que é previsto a duração de +/-3.6 segundos para a imersão total do disco do planeta no limbo lunar; já na emersão do planeta é prevista a duração de +/-3.8 segundos para a emersão total de Netuno do limbo lunar. 

Ocultações de Estrelas na Constelação de Taurus pela Lua

Atravessando novamente o rico campo celeste da região de Touro, nesta oportunidade teremos na primeira quinzena e ao fim deste mês (segunda quinzena) a oportunidade de registrar eventos de Theta 2 Tauri e Aldebaran nos dia 02 e 29 próximos; já ocultação de Hyadum II, somente poderá ser acompanhada da região austral da Oceania somente neste primeiro dia. 

Hyadum II (delta 1 Tauri)
Em 01 de julho, a Lua -8% iluminada e com a elongação solar de 34º ocultará a estrela Hyadum II (delta 1 Tauri) de magnitude 3.8 e tipo espectral K0-IIICN0.5. Essa ocultação será visível de forma diurna no extremo sul da Austrália (Nova Gales do Sul e Vitória) e em toda a Nova Zelândia, já de forma noturna somente na região Antártida  de acordo com a figura A, apresentada no quadro 1.

Theta 2 Tauri

Já no dia 02 a Lua -8% iluminada e com a elongação solar de 33°, ocultará a brilhante estrela theta 2 Tauri de magnitude 3.4 e tipo espectral A7 III. Esta ocultação então poderá ser observada de forma diurna no norte da América (Groenlândia, Canadá e Alaska) nordeste, norte, centro da Ásia e região do leste da Europa de acordo com a figura B, apresentada no quadro 1.

Já na segunda quinzena deste período em 29 de julho, a lua -24% iluminada e com uma elongação solar de 59º, novamente voltará a ocultar essa estrela, que poderá ser observado de forma diurna na Ásia e na Europa de forma noturna nas regiões leste da América do Norte e parte do Mar do Caribe na América Central de acordo com a figura A do quadro 2.

Aldebaran (alpha Tauri)

Novamente neste mês em 02 de julho a Lua, então -7% iluminada e com a elongação solar de 31º, ocultará a brilhante estrela Aldebaran de magnitude 0.9 e tipo espectral K5+III. Esta ocultação poderá ser observada de forma diurna em grande parte do oceano índico próximo a Península indiana e no oriente médio; no continente asiático, sul da Europa junto ao mar mediterrâneo e mar Egeu bem como ainda no nordeste da África conforme apresentado na figura C no quadro 1.

Já na segunda quinzena deste período em 29 de julho, a lua -23% e com uma elongação solar de 57º, novamente voltará a ocultar Aldebaran, o que poderá ser observado de forma diurna no norte da África, grande parte da Europa e oceano Atlântico. Já nas Américas o evento poderá ser observado durante o crepúsculo matutino na costa leste dos Estados Unidos, na América Central junto ao Mar do Caribe e no norte da América do Sul (Venezuela); o fenômeno ocorre dentro da faixa noturna na região central e sul dos Estados Unidos, na região do Istmo da América Central e na porção norte do continente sul americano (Colômbia) conforme apresentado na figura B no quadro 2.  

Ocultação de Zavijava (beta Virginis)

Em 10 de julho a Lua +32% iluminada e com a elongação solar de 69° ocultará Zavijava (beta Virginis) de magnitude 3.6 e tipo espectral F9V. Esse evento poderá ser observado de forma noturna no norte da América Central e na faixa crepuscular no oeste dos Estados Unidos, Já no oceano pacífico norte e na região das ilhas Aleutas o evento ocorre durante a faixa diurna do dia; essa mesma condição e válida também para o Nordeste da Ásia incluindo também parte do Japão e da China conforme demostra a figura A apresentada no quadro 3. 

Ocultação de Zaniah (eta Virginis)

Em 10 de julho também a Lua +38% iluminada e com a elongação solar de 76° ocultará a estrela Zaniah (eta Virginis) de magnitude 3.9 e tipo espectral A2IV. Esse evento poderá ser observado de forma noturna na região equatorial e setentrional da África, Oriente médio e sul da Europa, onde o evento já ocorre no período diurno; uma vez cruzando o oceano atlântico norte o evento também poderá ser acompanhado de forma diurna no leste dos Estados Unidos, Canadá e sul da Groenlândia conforme demostra a figura B apresentada no quadro 3. 

Ocultação de Zubenelhakrabi (Gamma Librae) em 14 de julho

Em 14 de julho a Lua +77% iluminada e com a elongação solar de 122° ocultará a estrela Zubenelhakrabi (Gamma Librae) de magnitude 3.9 e tipo espectral G8.5III. Esta ocultação poderá ser observada na região oeste da África (Cabo Verde), Norte da América do Sul e regiões das Américas Central e do Norte. Informações adicionais encontram-se postadas em: http://skyandobservers.blogspot.com/2016/07/a-ocultacao-de-gamma-librae-pela-lua-em.html.

Ocultação de Rho Sagittarii em 19 de julho

Em 19 de junho a Lua +99% iluminada e com a elongação solar de 171°, ocultará a estrela Rho Sagittarii de magnitude 3.9 e tipo espectral F0III/IV. Essa ocultação será observada de forma diurna no oceano Pacífico (Ilhas Cook, Nova Caledônia e Polinésia Francesa), região do Mar do Caribe e região do Istmo da América Central (Costa Rica e Panamá.) e região oeste da América do sul (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Peru). Informações adicionais encontram-se postadas em: http://skyandobservers.blogspot.com/2016/07/a-ocultacao-de-rho-sagittari-pela-lua.html.

Ocultação de Lambda Aquarii em 23 de Julho

Em 23 de Julho a Lua -88% iluminada e com a elongação solar de 139°, ocultará a estrela Lamba Aquarii de magnitude 3.7 e tipo espectral M2.5III, essa uma estrela variável do tipo SR. Esta ocultação poderá ser observada de forma diurna numa extensa região do norte da África (Argélia, Marrocos e Tunísia) e no centro, sul, norte e leste da Europa. Já no oceano Atlântico Norte em direção ao continente americano a ocultação ocorrerá na fixa noturna, abrangendo partes das três Américas. Informações adicionais encontram-se postadas em: http://skyandobservers.blogspot.com/2016/07/a-ocultacao-de-lambda-aquarii-pela-lua.html.

No Sistema Solar!

A brevidade das revoluções de Mercúrio (-1.2) em torno do Sol já faz com que este planeta novamente seja visível no crepúsculo vespertino, sendo que ele estará em conjunção superior já no dia 07 próximo; ele também estará em seu periélio em 02 de julho. Marcará ainda sua presença nesta fase crepuscular uma conjunção com Vênus (-3.9) ao entardecer de 16 de julho quando ambos estarão 0.5º separados. Entretanto neste dia ambos os planetas estarão com suas respectivas elongações estimadas em: Mercúrio 10.3ºE e Vênus 10.8E. Sensação observacional no mês anterior, Marte (-1.1) vem baixando sua elongação e como consequência suas respectivas magnitudes também. Foi bastante interessante ao público em geral que neste período visitaram alguns observatórios e planetários, pois assim tomaram conhecimento de algumas características da superfície marciana como: Sirtes Major, Hellas e Utopia, pois essas observações foram acompanhadas de experimentados observadores. E importante ainda destacar que no próximo dia 05 teremos o Equinócio Marciano quando tem início a Primavera no hemisfério sul e o outono no hemisfério norte de Marte, marca também o início da temporada de tempestade de areia na superfície marciana; fenômenos esse já observado de telescópios  baseados na superfície terrestre, quando então mudanças de coloração são observadas. Desta forma eu recomendo novamente uma leitura do texto: “Observações de nuvens no Planeta Marte”, disponível em: http://goo.gl/RQ8LjG de autoria do observador Frederico Luiz Funari. Está época e mesmo muito favorável à observação destes planetas e o gigantesco Júpiter (-1.8) continua chamando nossa atenção na constelação de Leão; sendo que ele ainda poderá ser observado na primeira parte da noite após o ocaso do Sol, como acima mencionado, observadores ao Sul da África poderão registrar uma ocultação deste planeta pelo disco Lunar. Neste mesmo período, também poderemos mencionar Saturno (magn. 0.3), e de fato chama a atenção sua proximidade a constelação do Escorpião e também as suas observações por parte do público tem feito muito sucesso; “pudemos novamente apreciar o efeito Uau por partes de visitantes a nossas sessões observacionais públicas” este efeito é inevitável, pois a plasticidade de seus anéis tem a capacidade de fazer isso.

Conforme podemos apreciar na tabela 3 acima, Urano (magn 5.8) poderá ser observado na constelação de Peixes e a cada dia vem aumentando suas elongações e já na segunda quinzena ele estará com sua visibilidade ocorrendo mais cedo, mas assim mesmo no horizonte leste e suas melhores condições observacionais ocorrerá no segundo semestre, o que faz com que ele seja novamente um bom alvo para localização com binóculos. Na constelação de Aquário, Netuno (7.8) terá um ligeiro aumento de sua magnitude e pode com facilidade ser localizado. Propositalmente eu mencionei acima que em 23 de julho a Lua o disco desse planeta e também a estrela variável Lambda Aquarii, pois bem! A Lua então será a fantástica guia turística celeste para essa localização. Enquanto isso com visibilidade de quase todo o período noturno o longínquo (134340) Plutão (magn. 14.1) encontra-se em oposição em 07  de julho próximo; ele estará também cerca de 0.27’ de Albaldah (Pi Sgr) de magnitude 2.8 e a 0.57’ de Omicron Sgr de magnitude em 15 de julho próximo; ambas estrelas de fácil localização na constelação de Sagittarius, facilitarão ao máximo a plotagem com desenhos numa boa carta celeste com intervalos de 7 em 7 dias, facilitando essa tarefa poderemos encontrar suas coordenadas equatoriais consultando a tabela 4 abaixo.

(1) Ceres  encontra-se na constelação da Baleia (Cetus), e neste período terá um ligeiro incremento em suas respectivas magnitudes, ele estará em quadratura em 23 de julho próximo (AMORIM, 2016) sendo que a sua respectiva distância a Terra consequentemente vem diminuindo lentamente,  2.88530 u.a em 15 de julho.  

Sol = O quadro 4 abaixo, apresenta alguns elementos úteis a observação solar neste mês como: (P.H) = Paralaxe Horizontal, (PO°) = Ângulo de Posição da extremidade Norte do disco solar, (+) E; (-) W, (BO°) = Latitude heliográfica do centro do disco solar (+) N; (-) S, (LO°) = Longitude heliográfica do meridiano central do Sol e ainda, (NRC) Número de Rotação Solar de Carrington da série iniciada em novembro 1853 9,946.

Observamos ainda numa breve análise do quadro 4 acima, que teremos três ciclos distintos do (NRC) Número de Rotação Solar de Carrington, pois inicia com a rotação número 2178, passando já em 04 de julho para 2179, chegando até 30 de julho com esta rotação; já 31 de julho será 2180. 

Lua = As fases lunares neste mês, ocorrerão nas datas e horários abaixo mencionadas em Tempo Universal de acordo com a figura 4.

A ocorrência das apsides lunares dar-se-á neste mês na seguinte sequência: Perigeu ocorrendo em 01/07 às 06:46 (UT = Universal Time), quando a Lua estará cerca de 365.982 km do centro da Terra, o Apogeu ocorre em 13/07 às 05:25 (UT = Universal Time), quando a Lua estará cerca de 404.271 km do centro de nosso planeta; novamente o Perigeu volta a ocorrer em 27/07 às 11:26 (UT = Universal Time), quando a Lua estará cerca de 369.658 km do centro de nosso planeta. Em 04/07 juntamente a fase nova, ocorrerá o início da lunação de número 1157.

Desta vez o observador Hélio de Carvalho Vital utilizou a câmera Sony DSC-HX300 e sem telescópio para registrar a conjunção ocorrida entre a Lua e o Planeta Júpiter em 11 de junho passado sob o céu do Rio de Janeiro-RJ, Brasil. (VITAL, 2016).

Asteroides

A fase lunar estará propícia para a busca em meio às estrelas da constelação da Coroa Austral de (71) Niobe em 07 de julho próximo quando este asteroide estará em oposição; entretanto eu recomendo buscar as estrelas mais conhecidas da constelação de Sagitário como:  Arkab Prior (magn 3.9) e Arkab Posterior (magn 4.2). A carta de busca e efemérides disponíveis em: http://goo.gl/tjzivC será de grande validade uma vez que representa bem essa região celeste. Já o asteroide (44) Nysa poderá ser localizado em Sagitário em 15 de julho embora a fase da Lua já esteja estimada em +0.768% iluminada; Albaldah (Pi Sgr) de magnitude 2.8 (aquela mesma estrela mencionada para a localização de Plutão) será uma excelente referência celeste neste caso também, conforme carta de busca e efemérides disponíveis em: http://goo.gl/HPplFu. A fase lunar volta a ser favorável o que será muito bom para a correta localização e identificação de (59) Elpis na constelação de Capricórnio (a carta de busca e efemérides disponíveis em: http://goo.gl/LX1ThD). Prima Giedi (magn 4.3) classe espectral G3Ib e sua companheira mais brilhante, Secunda Giedi de magnitude 3.5 serão ótimas referencias para a localização deste asteroide.

Cometas

252 P/LINEAR

E ainda uma boa oportunidade para registrar o cometa 252 P/LINEAR com instrumentação de pequeno porte como fizeram os observadores Marco Goiato de Araçatuba-SP e Alexandre Amorim de Florianópolis-SC, utilizando binóculos 7 x 50 e 10 x 50mm (AMORIM, 2016). A tabela 5 apresenta novamente as efemérides para o período.

C/2013 X1 Pan-STARRS

Ainda na penúltima semana do mês anterior conversando com o astrônomo amador Cícero Antônio Costa Silva do CEAMIG, ele informou-me que conseguiu êxito na observação deste cometa sob condições muito desfavoráveis de Poluição Luminosa, mas sem a pretensão de realizar qualquer registro; entretanto são dignos de menção os registros realizados pelos seguintes observadores Adriano G. Ferrão de Passo Fundo - RS; Alexandre Amorim de Florianópolis-SC, Antônio Martini Júnior de Botucatu, Marco Goiato de Araçatuba e Willian Souza de São Paulo – SP (AMORIM, 2016) utilizando instrumentação de pequeno porte. A tabela 6 abaixo apresenta as efemérides para o período.

CONSTELAÇÃO:

Draco 

Ao contrário do que muitos admiradores da esfera celeste das regiões austrais podem imaginar a localização dessa constelação e consequentemente seu delineamento com vistas ao reconhecimento de suas estrelas, pode ser um exercício bastante interessante para aqueles que dão seus primeiros passos rumo ao conhecimento daquela parte do céu. Já para um observador setentrional e bem fácil reconhecer essa constelação devido a sua proximidade a Ursa Menor, sendo a estrela Polar uma ótima referência para a localização também de outras constelações e estrelas brilhantes. Eu consigo somente observar partes dessa constelação de minha região no hemisfério Sul, até aproximadamente +69,º0 de declinação. 

Constelação boreal compreendida entre as ascensões retas de 9h 18min e 21h 00min, e as declinações de 47,º8 e 86,º0; ocupa uma superfície de 1.083 graus quadrados. Situada próximo ao pólo celeste norte, está limitada ao sul por Cygnus (Cisne), Lyra (Lira), Hercules e Bootes (Boieiro) e Ursa Major (Ursa Maior); a oeste por essa última e Camelopardus (Girafa); ao norte por Ursa Minor (Ursa Menor) e a leste por Cepheu (Cefeu) e Cygnus. Esta constelação foi sempre conhecida dos gregos e romanos como o Dragão, um dos mais terríveis monstros do mundo antigo. Na realidade, os dragões jamais existiram, embora os povos acreditassem neles. Para os ocidentais, o dragão era em geral mau e destruidor, embora os chineses o considerassem como um emblema real, tendo-o como um deus. Essa constelação parece possuir origem bem antiga: os caldeus já a representavam como um animal muito análogo ao dragão (MOURÃO, 1987).

Talvez seja Thuban (Alpha Draconis) uma estrela branca de magnitude 3.6, tipo e classe espectral A0III a estrela mais conhecida dessa constelação pelo fato histórico de ter sido a estrela polar norte cerca de 4000 anos atrás, isto é devido a precessão do eixo de rotação terrestre.  Alwaid (beta Draconis) e uma estrela supergigante amarela de magnitude visual 2.7, tipo e classe espectral 9 G2Ib-IIa. Trata-se de um sistema triplo onde a primeira foi descoberta em 1889 por S.W. Burham (1838-1921) (MOURÃO, 1987), tendo suas companheiras as respectivas magnitudes de 14,0 e 13,4 respectivamente. 

Eltanin (gamma Draconis) ocupando o que seria a cabeça deste imaginário dragão, será de fato a estrela mais brilhante desta constelação, pois possui uma magnitude visual de 2.23, sendo uma estrela gigante alaranjada de tipo e classe espectral K5III. Na realidade Eltanin é um sistema de estrelas de 7 estrelas, onde seus componentes possuem magnitudes entre 11.2 e 13.4 respectivamente. Altais (delta Draconis) ou também como é conhecida “Nodus secundus” e um sistema triplo também, cuja componente principal possui a magnitude visual 3.0 sendo que se trata de uma estrela gigante amarela de tipo e classe espectral G9III. Seus componentes B e C possuem magnitudes de 12.0 e 12.5 respectivamente. Tyl (epsilon Draconis) e uma estrela gigante amarela de magnitude 3.8 e classe espectral G7IIIbCN-2; podendo ser atraente, alguns autores afirmam ser uma boa dupla para ser apreciada com telescópios e aumentos moderados, sua companheira possui uma magnitude visual de 6.8 sendo que sua última observação (WDS – 83630) de 2012 apresenta este par com uma separação de 3.2". 

Edasisch (Iota Draconis) e uma estrela gigante alaranjada de magnitude visual 3.29, classe espectral K2III. Chamará nossa atenção novamente a descoberta realizada em 2002 de um exoplaneta de 8.8 Mj orbitando em torno dessa estrela e consequentemente, conforme mencionado neste post em fevereiro passado (link: http://goo.gl/reSeMY) a recém nomeação por parte do WG Public Naming of Planets and Planetary Satellites (Grupo de Trabalho de Nomeação de Planetas e Satélites Planetários) da União Astronômica Internacional (IAU), cujos resultados podem ser vistos em: http://nameexoworlds.iau.org/names.  Entre nomes de Deuses, monstros e cientistas a proposta escolhida foi Hypatia foi uma famosa astrônoma, matemática e filósofa grega. O nome foi sugerido pelos integrantes da associação cultural da Faculdade de Ciências Físicas da Universidade Complutense de Madrid-Espanha.

Continuando a nossa compreensão das estrelas que fazem parte desta constelação, os observadores poderão encontrar a cerca de 21º da estrela Polar a estrela gigante vermelha Giauzar; (lambda Draconis) e ainda uma estrela já incluída junto a AAVSO (NSV 5231) como SR, pois suas magnitudes variam com máximos e mínimos entre 3.78 - 3.86. Sua classe espectral e M0IIICa-1. Voltando novamente nossa atenção para a cabeça deste Dragão, encontraremos Arrakis (Mu Draconis), um sistema estelar triplo, separadas apenas por alguns segundos de arco sendo os pares A e B possuindo as respectivas magnitudes de 5,66 e 5,69V. Essas estrelas brancas quase idênticas (classe espectral F7V) são bem observadas através de um pequeno telescópio. Na figura 7 abaixo podemos verificar os elementos orbitais dos sistemas AB e BC (este representado na figura 8), sendo que o tempo de revolução do centro de massa comum perfazem-se num período de 812 anos para os componentes AB e 3.2 anos para os componentes BC.


Alguns autores informam que Dziban (Psi Draconis) de magnitude visual 4.5, tipo e classe espectral F5IV+F8V (o que lhe dá uma coloração amarelo esbranquiçada) e visível com binóculos, sendo essa estrela uma dupla muito fácil de ser observada (figura 9). Fato notável é que todo o conjunto trata-se de um sistema múltiplo de estrelas onde Psi-1 Diaconisa é um sistema estelar triplo contendo a binária espectroscópica Psi-1 Draconis AC e seu companheiro Psi-1 Draconis B. As velocidades radiais de Psi-1 Draconis B indicam a presença de um exoplaneta joviano. Ainda complementando o delineamento desse animal lendário, podemos encontrar Grumium (Xi Draconis), uma gigante alaranjada de magnitude visual 3.8, classe e tipo espectral K2-III; ela é uma dupla física cujo secundário possui uma magnitude de 13.0, classe e tipo espectral M5V. 

Entretanto não podemos deixar de mencionar 42 Draconis, uma estrela gigante alaranjada de magnitude visual 4.8, classe e tipo espectral K1.5III e o motivo também é que em fevereiro último, o WG Public Naming of Planets and Planetary Satellites (Grupo de Trabalho de Nomeação de Planetas e Satélites Planetários) também escolheu o nomes os nomes Fafnir e Orbitar para dois exoplanetas existentes em torno dessa estrela. Fafnir na mitologia nórdica é o filho do rei anão Hreidmar e irmão de Regin e Ótr; já Orbitar é uma palavra inventada em homenagem aos lançamentos espaciais e operações orbitais da Agência Espacial dos Estados Unidos (NASA). Em ambos casos o nomes foram escolhidos pelos integrantes da Brevard Astronomical Society (BAS) da Flórida-EUA. 

M 102 e NGC 6543

Ainda que a nebulosa planetária NGC 6543 de magnitude visual mais brilhante que o NGC5866, será esta galáxia, também celebrizada no catálogo do astrônomo francês Charles Joseph Messier (1730-1815) como M102, muito embora exista alguma duvida de que tenha realmente Messier feita essa inclusão. Entretanto essa galáxia espiral pode ser facilmente observada com instrumentação de pequena abertura muito embora sua magnitude visual seja estimada em 9.9. Muito baixos no horizonte para minhas observações visuais, ambos os objetos são frequentemente registrados por observadores do hemisfério setentrional.

A nebulosa planetária NGC 6543 possui as coordenadas equatoriais: Ascensão Reta: 17h58m 36.0s e Declinação: +66º37' 60"; já M 102 as coordenadas equatoriais: Ascensão Reta: 15h06m 30.0s e Declinação: +55º46'00".

ATÉ BREVE!

Que possa toda a plêiade de astrônomos e astrônomas (amadores e profissionais) serem os elementos mais importantes da observação astronômica, uma vez que estamos no ponto mais importante de nossos instrumentos óticos seja ele qual for. E este posicionamento privilegiado e justamente “atrás da ocular”.

Menciono isso a todos na forma de um “Até Breve” a todos os companheiros e companheiras que dividem a noite e o céu estrelado conosco, pois devido a impedimentos de ordem pessoal as nossas postagens do céu do mês estarão paralisadas por um período indefinido, pois urge agora meu apoio e cuidados de saúde para com pessoas de meu convívio familiar. 

Por oportuno espero retornar a estas páginas e a alegria desses mensais encontros no menor tempo possível uma vez que a paixão que tenho pela esfera celeste e suas nuances são eternas.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2016. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2015. 115p. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2016.pdf> Acesso em 17 Nov. 2015.

- AMORIM, Alexandre. Anuário Astronômico Catarinense 2016. Florianópolis: Ed: do Autor, 2015. 182p.

- _______________ - Rea/Brasil Website (SECÇÃO DE COMETAS) - <http://rea-brasil.org/cometas/observ252p.html> (atualização em 14/05/2016). Acesso em: 21/06/2016.

- _______________ - Rea/Brasil Website (SECÇÃO DE COMETAS) - <http://rea-brasil.org/cometas/observ13x1.htm> (atualização em 14/05/2016). Acesso em: 21/06/2016. 

- ALMEIDA, Guilherme de. , Pedro. Observar o Céu Profundo. ISBN-972-707-278-X. Ed. Plátano Edições Técnicas, 1ª Edição, Julho 2000; Lisboa Portugal. 339p.

- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 26 Nov. 2015.

- HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 28 Abr. 2016.

- VITAL, Hélio de Carvalho. Fotos de Ontem. E-Mail [Personal Communication]. Message received by arcampos_0911@yahoo.com.br 12 Jun. 2016 (10:48 AM).

- http://www.calsky.com/cs.cgi - Acess in 21 Jun. 2016.

- Washington Double Star Catalog (WDS) - Double Star Database, Data Last: (2015). Available in < http://stelledoppie.goaction.it/index2.php?iddoppia=68554> – Acess in: 23 Jun 2016. 

- __________ <http://stelledoppie.goaction.it/index2.php?iddoppia=68556> – Acess in: 23 Jun. 2016.
- __________ < http://stelledoppie.goaction.it/index2.php?iddoppia=70982> - Acess in: 25 Jun. 2016.
- Open Exoplanet Catalogue. (Website): Available in: <http://www.openexoplanetcatalogue.com/planet/Psi-1%20Draconis%20B%20b/> - Acess in 25 Jun. 2016.

A ocultação de Lambda Aquarii pela Lua em 23 de julho 2016!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Na madrugada de 23 julho próximo, a Lua -88% iluminada e uma elongação solar de 139° ocultará a estrela Lambda Aquarii de magnitude 3.7 e tipo espectral M2.5III (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado numa grande extensão da superfície terrestre.

Assim sendo, os observadores localizados na região norte do continente africano (Argélia, Marrocos e Tunísia) conforme apresentado na tabela 1 poderão acompanhar as fases de desaparecimento e reaparecimento dessa estrela já no período diurno conforme apresentado na tabela 1.

De igual forma, também os observadores localizados na região oeste da Europa (Andorra, Bélgica, Espanha, França, Ilhas Faroé, Itália, Luxemburgo, Portugal, Reino Unido - Escócia, Irlanda, e Ilha de Man - e Suíça), poderão também acompanhar as fases de desaparecimento e reaparecimento dessa estrela, conforme apresentado na tabela 2.

Já os observadores localizados na região do oceano atlântico em sua porção setentrional na América Central (Aruba, Barbados, Costa Rica, Cuba, Ilhas Cayman, Rep. Dominicana, El Salvador, Guadalupe, Guatemala, Honduras, Jamaica, Nicarágua, Panamá, Porto Rico, São Cristóvão e Nevis, Trinidad e Tobago) observarão os eventos de desaparecimento e reaparecimento dessa estrela no período noturno conforme apresentado na tabela 3.

Assim também os observadores localizados na costa leste da América do Norte (Bermudas, México e Estados Unidos) acompanharão ambas as fases, exceto no México que poderá observar somente a fase de reaparecimento, conforme apresentado na tabela 4 abaixo.

Já na região norte da América do Sul (Brasil, Colômbia, Equador e Venezuela), ambas as fases de desaparecimento e reaparecimento poderão ser acompanhada conforme apresentado na tabela 5 abaixo.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo apresentamos o mapa global (figura 2) com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange as respectivas regiões localizadas no oceano Atlântico e oceano Pacífico na região equatorial junto às Américas. 

Lambda Aquarii

A designação de Bayer para Lambda Aquarii e uma breve consulta, indica tratar-se de uma estrela variável semirregular do tipo SR (AAVSO, 2016) conforme apresentado na figura 3 abaixo, cuja variabilidade entre máximos e mínimos encontra-se estimada em 3.5 a 3.8 magnitude.  

Sua distância ao sol encontra-se estimada em 383.7 anos-luz, sendo que o atual ciclo de ocultações dessa estrela efetivamente iniciado em 02 de maio último, encerrar-se-á 06 de setembro de 2017 com uma ocultação somente visível na região Antártica, portando desprovida de observadores.

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

No Facebook:

“Ocultações Astronômicas”.

Este grupo destina-se à divulgação e discussão de eventos astronômicos na área de 'Ocultações'. Ocultações de estrelas e planetas pela Lua, ocultações de estrelas por asteroides e as técnicas empregadas para o registro destes eventos.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2016. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2015. 115p. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2016.pdf> Acesso em 17 Nov. 2015.

- HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 28 Abr. 2016.

- AAVSO Home  (VSX) Index. 1135, Available in: <

A ocultação de rho Sagittarii pela Lua em 19 de julho 2016!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Na noite de 19 julho próximo, a Lua +99% iluminada e uma elongação solar de 171° ocultará a estrela rho Sagittarii de magnitude 3.9 e tipo espectral F0III/IV (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado em boa parte da superfície terrestre.

Assim sendo, os observadores localizados na região do istmo da América Central (Costa Rica e Panamá), poderão acompanhar a fase de desaparecimento dessa estrela, conforme apresentado na tabela 1.

De igual forma os observadores localizados região oeste da América do Sul Central (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador e Peru), poderão também acompanhar a fase de desaparecimento dessa estrela, conforme apresentado na tabela 2.

Já os observadores localizados na região do oceano pacífico que compreende as Ilhas Cook e Polinésia Francesa, observarão os eventos de desaparecimento e reaparecimento, ocorrendo somente na região da Nova Caledônia o reaparecimento dessa estrela, conforme apresentado na tabela 3 abaixo.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo apresentamos o mapa global (figura 2) com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange as respectivas regiões localizadas no oceano Pacífico. 

Rho Sagittarii

A designação de Bayer para rho Sagittarii (Sgr 1, 2 Sagittarii) é compartilhada por duas estrelas (figura 3). As duas estrelas estão separadas por 0,46 graus no céu. Porque também elas estão perto da eclíptica, podem ser ocultadas pela Lua e, muito raramente, por planetas. A próxima ocultação de rho Sagittarii por um planeta ocorrerá em 23 de fevereiro de 2046, quando será ocultada por Vênus.

Rho-1 Sagittarii é uma estrela de um tipo espectral F0III/IV que tem uma magnitude aparente de 3,93. Ela encontra-se cerca de 122 anos-luz da Terra.

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

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Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2016. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2015. 115p. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2016.pdf> Acesso em 17 Nov. 2015.

- HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 28 Abr. 2016.

A ocultação de Gamma Librae pela Lua em 14/15 de julho 2016!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Na noite de 14 para 15 de julho próximo, a Lua +77% iluminada e uma elongação solar de 122°, ocultará a estrela Zubenelhakrabi (Gamma Librae) de magnitude 3.9 (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado numa grande extensão da superfície terrestre.

Observadores localizados na região setentrional da África, Europa (Península Ibérica) e em grande parte das três Américas, poderão acompanhar esse evento, conforme e apresentado nas tabelas abaixo enumeradas de 1 a 6 respectivamente.

Regiões de visibilidade na África: Argélia, Benin, Burkina Faso, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gana, Marrocos, Marrocos, Níger, Nigéria, Senegal e Togo.

Regiões de visibilidade na América Central: Aruba, Barbados, Cuba, Ilhas Cayman, Rep. Dominicana, Jamaica, Porto Rico, São Cristóvão e Nevis, Trinidad e Tobago.

Região de visibilidade na Europa: Espanha e Portugal.

Região de visibilidade na América do Norte: Bermudas, Canadá e México, apresentados na tabela 4 e Estados Unidos na tabela 5.


Região de visibilidade na América do Sul: Brasil, Colômbia e Venezuela.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo apresentamos o mapa global (figura 2) com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange as localidades banhadas pelo oceano Atlântico e também regiões do oceano Pacífico na região da Baixa Califórnia. 

Gamma Librae

Gamma Librae (tipo espectral G8.5III) é uma estrela dupla fechada de magnitude de 3.9, conforme podemos verificar na figura 3. Mesmo sendo uma estrela gigante e semelhante ao Sol, ela encontra-se cerca de 109 anos luz de distância. (MOURÃO, 1987)

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
http://www.rea-brasil.org/ocultacoes/1reporte_ocultacoes_lunares_v2.0c2_portugues.xls (ocultações lunares) ou
(ocultações de estrelas por asteroides).

No Facebook:

“Ocultações Astronômicas”.

Este grupo destina-se à divulgação e discussão de eventos astronômicos na área de 'Ocultações'. Ocultações de estrelas e planetas pela Lua, ocultações de estrelas por asteroides e as técnicas empregadas para o registro destes eventos.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2016. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2015. 115p. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2016.pdf> Acesso em 17 Nov. 2015.

WALKER, John. Your Sky - Fourmilab Switzerland, 2003. Disponível em <http://www.fourmilab.ch/yoursky/catalogues/starname.html> - Acesso em 05 ago. 2014.

- Astronomical Software Occult v4.1.0.27 (David Herald - IOTA) - acesso em 24/12/2014.

A ocultação de TYC 5667-00417-1 por 236 Honoria

Antonio Padilla Filho
padillafilho@gmail.com
REA/Brasil

No dia 13 de junho de 2016  tive a oportunidade de observar pela primeira vez uma ocultação de estrela por um asteroide. O registro foi realizado na localidade de Corrêas, onde temos uma residência, na cidade de Petrópolis, no Rio de Janeiro.

Tendo em mãos a previsão com as circunstâncias do evento, me preparei com bastante antecedência para não haver imprevistos. Familiarizar-se com o campo estelar e testar com antecedência como o equipamento todo vai se comportar é de fundamental importância. Os eventos astronômicos  'com hora marcada' não combinam com improvisação ou falhas do  equipamento. Nas ocultações que me preparei nos dois últimos anos, ou a meteorologia não colaborou ou houve falha de equipamento ou logística.

O registro de uma ocultação estelar asteroidal pode ser feito apenas visualmente mas a gravação em vídeo permite análise detalhada posterior para dirimir qualquer dúvida e eliminar um possível erro. Não temos como saber com antecedência qual será a duração da ocultação - ou mesmo se ocorrerá uma 'miss' (não-ocultação) - mesmo a estação estando situada dentro da faixa de visibilidade prevista. As predições são baseadas em probabilidade de ver uma ocultação ao longo da faixa de interesse. Portanto, o registro físico da ocultação em vídeo ou mesmo em fotografia (drift-scam) é o mais aconselhado para escapar das surpresas.

Usei um telescópio Maksutov  SkyWatcher de 90mm de abertura com um redutor focal de 0,5x e uma câmera analógica Samsung SCB2000. A imagem gerada pela câmera foi exibida em um monitor de 14 polegadas, que foi filmado por uma câmera digital. Este não é o equipamento 'ideal' mas a vantagem é que os sinais horários podem ser  gravados pela câmera , enquanto filma o monitor da TV. Ter acesso a uma fonte de hora certa é indispensável para saber com a melhor precisão possível o momento dos eventos e consequentemente a duração da ocultação.

Equipamento: Maksutov 90mm com montagem Virtuoso (motorizada) e buscadora, redutor focal 0,5x, câmera analógica Samsung SCB2000 (sem o filtro IR), câmera digital filmadora, TV analógica,  notebook com o programa BeeperSync.

O vídeo obtido tem algumas deficiências, como os pixels mortos (deadpixels), mas a imagem da estrela é bastante clara e estável para se perceber logo após o sinal do minuto cheio (TL 22h31m00s) que há um breve desaparecimento, pouco inferior a um segundo, se levarmos em conta que o tubo de imagem da TV tem uma latência aproximada de 0,5 segundo quando a fonte luminosa desaparece.



As ocultações asteroidais

Ocultações asteroidais ocorrem com frequência mas não são tão fáceis de observar pois só são vistas de uma estreita faixa territorial, que tem a largura do asteroide. Com exceção dos asteroides maiores, geralmente esta faixa tem entre 80km a 130km de largura e a trajetória pode se estender por mais de um continente. Existem muito mais ocultações de estrelas  mais fracas - lógico - do que mais brilhantes. Um observador fixo em sua estação, terá em média duas ocultações de estrelas de 10a. magnitude por ano. Portanto, a mobilidade é necessária se quiser ter mais chances de pegar uma ocultação.

Ocultação de  TYC 7390-02379-1 (mag. 7.4)  por 506 Marion em 27 de julho de 2016. A área de interesse para o observador se situa ao longo da trajetória e entre as duas linhas vermelhas (sigma-3). Ocultação bem favorável para Aracajú, Teresina, São Luís e também Belém e Salvador. Cortesia Derek Breit e Steve Preston.

A ocultação de uma estrela tem duas fases distintas: o desaparecimento e o reaparecimento. O observador deve registrar o momento exato em que elas ocorrem, utilizando o telescópio e uma fonte de hora certa. É de fundamental importância  a precisão dos horários, com uma aproximação melhor que o décimo de segundo!

Uma observação bem sucedida tem utilidade para aferir a precisão das previsões - lembremos que todas as estrelas tem movimento próprio na Galáxia - e os catálogos precisam ser atualizados constantemente. 

Se tivermos uma pequena rede de observadores espalhados transversalmente à trajetória da sombra do asteroide na Terra, teremos então diversas 'cordas' (linha de tempo entre o D e R), que refinarão o que sabemos sobre a forma do asteroide.

Mais de 50 observadores foram mobilizados para a ocultação da estrela LQ Aquarii pelo asteroide 90 Antiope, em 19 de julho de 2011. As linhas coloridas são as trajetórias onde se encontravam os observadores, que ajudaram a determinar os perfis deste asteroide duplo. Cortesia David Duhan/Iota.

Uma outra possibilidade, bem mais rara, é a descoberta de um possível satélite do asteroide. O primeiro reporte de evidência de um satélite asteroidal ocorreu em março de 1977, por ocasião da ocultação de gamma  Ceti (mag. 3.6) pelo asteroide Hebe. Com um refrator de 12 cm de abertura, Paul Maley estava situado em Vitória (Texas), 1600km ao norte da trajetória prevista, e detectou uma queda de brilho de 0,5 segundo no momento em que a ocultação era observada da Cidade do México.  
Hoje sabemos que inúmeros asteroides têm satélite e a primeira confirmação de fato ocorreu em 1993 quando a sonda Galileu descobriu Dactyl, orbitando o asteroide 243 Ida.

No ano de 2014 uma outra notável descoberta neste campo foi realizada pela equipe liderada pelo astrônomo brasileiro Felipe Braga Ribas. Durante uma ocultação estelar pelo asteroide centáurida 10199 Chariklo, duas estações de observação registraram pequenas quedas de brilho antes e depois da ocultação principal, evidenciando também que não só os planetas podem possuir anéis.

O registro das ocultações por observadores não-profissionais não tem muitos adeptos no nosso país. O campo é fértil para a produção de dados precisos se forem utilizados equipamentos adequados, que hoje estão ao alcance de qualquer pessoa que tenha interesse e o mínimo de recursos. 
Links de interesse:

1) International Occultation Timing Association - IOTA

2) Liada - seção de ocultações

3) REA - seção de ocultações

4) Página de previsões de ocultações  - Derek Breit e Steve Preston

5) Manual de ocultações (em inglês)

6) Página de Hristo Pavlov - BeeperSync e outros recursos

7) Occult Watcher – programa de ocultações asteroidais

8) Facebook - página de Ocultações Astronômicas

O asteroide (19) Fortuna em 2016!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 10 de agosto próximo, o asteroide Fortuna estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = +0.429), quando então sua magnitude chegará a 9.6, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de pequeno porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa contendo ainda em destaque no quadro vermelho estrelas de referência, (omitida vírgula ou ponto com a finalidade de evitar o que possa representar estrelas) facilitando assim sua localização nesta época. 

Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 19 Fortuna foi descoberto em 22 de agosto de 1892 pelo astrônomo inglês John Russel Hind (1823 - 1895) no Observatório de Londres. Seu nome é alusão a uma das mais poderosas divindades dos antigos, a deusa da fortuna. (MOURÃO, 1987).

Notas:
1 = Nota: (au)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância media da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) OAM (2015).

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2016. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2015. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2016.pdf> Acesso em 17 Nov. 2015.

- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 26 Nov. 2015.


O asteroide (85) Io em 2016!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 12 de agosto próximo, o asteroide Io estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = +0.618), quando então sua magnitude chegará a 10.2, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de médio porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa contendo ainda em destaque no quadro vermelho estrelas de referência, (omitida vírgula ou ponto com a finalidade de evitar o que possa representar estrelas) facilitando assim sua localização nesta época. 

Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 85 Io foi descoberto em 19 de setembro de 1865 pelo astrônomo alemão Christian Heinrich Friedrich Peters (1813 - 1890) no Observatório de Clinton (Estados Unidos). Seu nome é uma homenagem a Io, filha de Ícaro, que, seduzida por Júpiter, foi transformada em uma novilha para enganar a sua esposa e cuja guarda foi confiada a Argos, um gigante de cem olhos. Depois da morte de Argos por Mercúrio, a mando de Júpiter, Juno inspirou a Io um furor cego que a fez andar errante por todo o universo. (MOURÃO, 1987).

Notas:
1 = Nota: (au)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância media da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) OAM (2015).

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2016. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2015. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2016.pdf> Acesso em 17 Nov. 2015.

- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 26 Nov. 2015.