sábado, 1 de outubro de 2016

O céu do mês - outubro de 2016

Cícero Antônio Costa Silva
ancimoeja@yahoo.com.br
CEAMIG

Caro Leitor,
Chegamos ao mês de outubro nessa tarefa agradável e de muita responsabilidade que é auxiliar nosso querido Antônio Rosa Campos em manter atualizadas as publicações do céu do mês. Confesso a todos que tem sido uma fonte de muito aprendizado. A cada mês, durante as pesquisas para colher informações que sejam relevantes, mais e mais eu vou me apaixonando por esta ciência fantástica que é a astronomia. Infelizmente, o mês de outubro chega sem eventos mais espetaculares como eclipses ou a presença de um grande cometa. Porém nunca saberemos o que o céu guarda de surpresa para nós, meros mortais.

Mesmo assim, dentro dos eventos os quais temos alguma previsibilidade, o mês de outubro também pode nos manter muito tempo com os nossos telescópios, binóculos e olhos direcionados para cima.
Dentre os diversos eventos desse mês gostaria de destacar a oposição do planeta anão Ceres. Vale a pena acessar o post específico para este evento e acompanhar o deslocamento de Ceres através das estrelas da constelação de Cetus, a Baleia.

Outro objeto, que vale a pena procurar um céu ideal para observar, é a estrela dupla Zeta Reticuli, descrita na constelação deste mês. É uma das pouquíssimas estrelas duplas possíveis de se observar as duas componentes do sistema a olho nu. Confesso a todos os leitores que está eu não conhecia.

Para finalizar vale lembrar que às 00:00h de Brasília (03:00 TU) do dia 16 de outubro próximo, reinicia-se o Horário de Verão em parte do território brasileiro. Ele permanecerá vigorando nas regiões determinadas pelo Decreto n° 6.558 de 08 de Setembro de 2008, até às 00:00h de Brasília (03:00 TU) do dia 19 de fevereiro de 2017, quando então terminará sua vigência neste período.Assim sendo, as regiões de abrangência no Brasil são: a) – SUL, estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná; b) SUDESTE, estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais e, c) CENTRO-OESTE, estados de Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e o Distrito Federal.

Ótimas observações para todos nós!




Figura 1

Tabela 1

Ocultações de Planetas pela Lua
Ocultação de Netuno
A figura mostra as circunstâncias da ocultação do planeta Netuno pela Lua. A Lua 88% iluminada ocultará Netuno para regiões do norte do Canadá e Alasca. A Lua, já com um brilho bastante intenso ofuscará o planeta que apresenta magnitude 8 dificultando a observação do evento através de instrumentos óticos mais modestos.




Figura 2
Ocultação de estrelas pela Lua

Gamma Virginis = Porrima
Em 01/10 a Lua, +0% iluminada e com uma elongação de 3o a leste, oculta a estrela Gamma Virginis, de magnitude 2,8 e classe espectral F0V. Como percebemos na figura esta ocultação ocorre apenas no período diurno.
Em 28/10 a Lua volta a ocultar Gamma Virginis novamente. Mas infelizmente a ocorrência também será no período diurno. Nesta segunda ocorrência a Lua estará a uma elongação de 26o a leste do Sol e -5% iluminada.




Figura 3

Gamma Librae = Zubenelakrab
Em 04/10 a Lua +14% iluminada e com uma elongação de 44o a leste do Sol, oculta a estrela Gamma Librae de magnitude 3,9 e classe espectral K0III, para a costa leste dos Estados Unidos e regiões do Caribe. Toda a costa oeste da América do Norte até o Alasca estará sob a luz do Sol durante a ocorrência do evento.




Figura 4

Rho Sagitarii
Em 09/10 a Lua +53% iluminada e com uma elongação de 93o a leste do Sol oculta a estrela Rho Sagitarii de magnitude 3,9 e classe espectral F0III/IV, para vastas regiões da Oceania. No Oceano Índico até a costa leste da África está ocultação ocorrerá durante o dia. 




Figura 5

Lambda Aquarii
Em 13/10 a Lua +89% iluminada e com uma elongação de 141o a leste do Sol oculta a estrela Lambda Aquarii de magnitude 3,7 e classe espectral M2IIIvar. A faixa de visibilidade noturna deste evento se estende da costa oeste da América do Norte até o Oceano Pacifico ao norte da Oceania.



Figura 6
Hyadum II
Em 19/10 a Lua -88% iluminada e com uma elongação de 138o a oeste do Sol oculta a estrela Hyadum II de magnitude 3,8 e classe espectral G9.5III. Apenas o extremo sul do Oceano Atlântico estará apto a testemunhar este evento.





Figura 7

Theta 1 e Theta 2 Tauri
Continuando no dia 19/10, a Lua já -87% iluminada e com uma elongação reduzida para 137o a oeste do Sol oculta Theta 1 e Theta2 com minutos de diferença entre uma e outra. De magnitudes 3,8 e 3,4 respectivamente e classes espectrais são G7III e A7III e situando a distância de aproximadamente 150 anos luz, Theta1 e Theta2 Tauri são estrelas que pertencem ao aglomerado aberto das Hyades. A faixa de visibilidade noturna se estende da costa leste americana e canadense, passando pelo Atlântico Norte e terminando na Europa Ocidental.




Figura 8

Alpha Tauri = Aldebaran
O melhor da sequência de ocultações deste dia 19 ficou para o final. A Lua -86% iluminada e com uma elongação de 136o a oeste do Sol ocultará a gigante vermelha Aldebaran. Apresentando magnitude 0,9 e classe espectral K5III, esta gigante vermelha está a 66 anos-luz de distância, portanto não faz parte do aglomerado aberto das Hyades. Estados Unidos, Canadá, América Central e Caribe estão bem posicionados na faixa de visibilidade para observar esta ocultação.




Figura 9

Sigma Leonis
Em 26/10, a Lua -15% iluminada e com uma elongação de 45o a oeste do Sol ocultará Sigma Leão de magnitude 4.1 e classe espectral B9IV. A faixa de visibilidade noturna é bastante estreita e se situa no extremo sul do Oceano Pacífico.



Figura 10
Beta Virginis  = Zavijava
Em 27/10, a Lua -10% iluminada e com uma elongação de 36o a oeste do Sol ocultará Beta Virginis de magnitude 3,6 e classe espectral F8.5IV-V. A faixa de visibilidade noturna está localizada no extremo norte do Oceano Atlântico e Groelândia.



Figura 11

Eta Virginis = Zaniah     
Ainda no dia 27/10, a Lua -7% iluminada e com uma elongação de 31 graus a oeste do Sol ocultará Eta Virginis de magnitude 3,9 e classe espectral A2IV. Uma estreita faixa de visibilidade noturna ocorrerá ao norte da Rússia.




Figura 12

Ocultação de estrelas por Asteroides.

Em 16 de outubro próximo o asteroide (7) Iris (então com uma magnitude 11.0) ocultará a estrela HIP 83684 de magnitude 6.3 (estrela essa que possivelmente seja uma dupla); a área de visibilidade estará recaindo sobre o continente sul americano (Chile, Argentina, Uruguai e Brasil), conforme podemos observar na figura abaixo.



Figura 13

Sistema Solar

Para o mês de outubro observarmos as seguintes movimentações planetárias:

Mercúrio. O mês de outubro não se apresenta favorável para observação do Mensageiro dos Deuses. O planeta Mercúrio inicia o mês de outubro com uma elongação de 17o. Com o passar dos dias veremos Mercúrio se aproximando cada vez mais do Sol. Portanto a observação fica menos prejudicada nos primeiros dias do mês. Mesmo assim procure um horizonte leste desobstruído de nuvens antes do início do crepúsculo matinal. No dia 27 Mercúrio atinge sua conjunção superior com o Sol distando 1,43 UA da Terra.

Vênus. A Deusa da Beleza continua a dominar o céu vespertino durante todo o mês de outubro. Será bastante interessante acompanharmos a evolução da fase e do diâmetro aparente do planeta. Em 1/10 Vênus apresenta um disco de 12,2” de diâmetro aparente e 85,3% iluminado. Ao final do mês em 31/10 um disco aparente de 14” estará 78% iluminado pelo Sol. Ainda no dia 31 Vênus, na sua órbita em torno do Sol, atinge o seu afélio. O ponto de maior distância do planeta ao Sol. Neste momento a distância entre Vênus e o Sol é de 0,7282 UA.

Marte. O Deus da Guerra passa o mês de outubro reduzindo ainda mais seu tamanho aparente e dificultando ainda mais a observação por telescópios amadores no início da noite. Durante o mês, o diâmetro aparente de Marte, se afastando cada vez mais da Terra inicia com 8,7” de diâmetro aparente e termina o mês com 7,5”. No dia 29 Marte, na sua órbita em torno do Sol, atinge o seu periélio, ponto de menor distância do planeta ao Sol. Neste momento a distância entre Marte e o Sol é de 1,3812 UA.

Júpiter. O mês de outubro marca o reaparecimento matutino do Gigante Gasoso após a conjunção que ocorreu em setembro. Durante o mês observaremos Júpiter se afastar cada vez mais do Sol a cada manhã. No final do mês uma elongação de 27o já permitirá observar Júpiter momentos antes do início do crepúsculo matutino.

Saturno. Ainda bem posicionado para observação amadora no céu vespertino, mas se aproximando cada vez mais do horizonte oeste, Saturno ainda permitirá boas observações através do telescópio. Aproveitemos o início das noites de outubro, com o planeta ainda com uma boa altura do horizonte, para observarmos seus anéis que estão abertos a 26o para os observadores da Terra.

Urano. Bem posicionado no céu durante toda a noite. Aqueles com acesso a um céu escuro e sem poluição poderão tentar observar Urano mesmo a olho nu. Um pequeno telescópio consegue definir seu pequeno disco aparente de aproximadamente 4”. No dia 14 Urano atinge o Perigeu, a menor distancia para a Terra. 18,951 UA. Já no dia 15 Urano atinge a oposição. Urano brilhará no céu com uma magnitude de 5,7 e um disco aparente de 3,7”.

Netuno. Netuno passou pela oposição em setembro. Durante o mês de outubro Netuno ainda estará apresentando seu movimento aparente retrógrado pelas estrelas da constelação de Aquário. Sua magnitude de aproximadamente 8 o deixa ao alcance de bons binóculos. Para tentar visualizar seu pequeno disco azulado de 3” será necessário um telescópio com aumento moderado.

Plutão. Apenas telescópios acima de 300mm de abertura permitirão tentar observar visualmente o Planeta Anão Plutão.




Sol = O quadro abaixo, apresenta alguns elementos úteis a observação solar neste mês como: (P.H) = Paralaxe Horizontal, (PO°) = Ângulo de Posição da extremidade Norte do disco solar, (+) E; (-) W, (BO°) = Latitude heliográfica do centro do disco solar (+) N; (-) S, (LO°) = Longitude heliográfica do meridiano central do Sol e ainda, (NRC) Número de Rotação Solar de Carrington da série iniciada em novembro 1853 9,946.






Figura 14

A ocorrência das apsides lunares dar-se-á neste mês na seguinte sequência: Apogeu ocorrendo em 04/10 às 11:12 (UT = Universal Time), quando a Lua estará cerca de 406.120,2 km do centro da Terra. O Perigeu ocorre em 17/10 às 00:40 (UT = Universal Time), quando a Lua estará cerca de 351.476,7 km do centro de nosso planeta.

Asteroides em Oposição

Até por volta do dia 09 de outubro a Lua entre a fase Nova e Quarto Crescente facilitará a localização dos asteroides que estarão em oposição este mês. Entre os dias 09 e 16 a Lua, aumentando a sua face iluminada coloca um desafio para a tarefa de observar os asteroides de magnitudes mais elevadas. Do dia 16 até o fim do mês, após a fase Cheia, e com a Lua surgindo no céu cada vez mais tarde, permite a localização desses astros de pouco brilho no início da noite. Os links levarão a informações detalhadas que facilitarão a atividade. Vamos a eles:

05/10, mag. 11,3 = (32) Pomona, link: http://goo.gl/hG0yBl
13/10, mag. 10,6 = (51) Neumasa, link: http://goo.gl/7rp6zB
18/10, mag. 10,7 = (57) Mnemosyne, link: http://goo.gl/il1JD8
21/10, mag. 7,4 = (1) Ceres, link: http://goo.gl/ZRUa3X
23/10, mag. 8,0 = (18) Melpomene, link: http://goo.gl/xrl4OV

Constelação:

Reticulum
Constelação austral compreendida entre ascensões retas de 3h14min e 4h35min, e as declinações -53º.0 e -67º.3. Limitada ao sul pela constelação de Hydrus (Hidra Macho), ao norte por Dorado (Dourado) e Horologium (Relógio), ocupa uma área de 114 graus quadrados. Seu nome foi escolhido pelo abade La Caille (q. v.) para chamar atenção para o importante papel, na astronomia, do retículo, sistema de fios cruzados que, num instrumento óptico, serve de referencial para determinar a posição das estrelas no campo visual de uma ocular. A constelação é constituída por um grupo de estrelas pouco brilhante cuja disposição semelhante a um losango lembra os retículos das oculares de Bradley.



Figura 15

Alpha Reticuli
Alpha Reticuli é a estrela mais brilhante da constelação de Reticulum. Ela tem uma magnitude visual aparente de 3,3 e está a 161 anos luz do nosso sistema solar. Esta estrela tem mais de três vezes a massa do Sol e quase 13 vezes o raio solar além de ser 240 vezes mais luminosa. Sua classificação espectral é G8II-III.

Beta Reticuli
Beta Reticuli é um sistema triplo de estrelas a aproximadamente 100 anos luz de distância. Ela tem uma magnitude aparente visual de 3,8. A componente primária do sistema é uma gigante alaranjada de classificação espectral K0IV SB. 

Gamma Reticuli
Gamma Reticuli é uma gigante vermelha de classe espectral M4III, apresenta uma magnitude visual aparente de 4,5 e está a 490 anos luz de distância de nós.

Delta Reticuli
Delta Reticuli é outra gigante vermelha em Reticulum. Classificação espectral M2III. De magnitude aparente visual de 4,5, esta estrela está a 530 anos luz de distância do Sol.

Zeta Reticuli
É um sistema binário bem separado composto de duas estrelas de classe espectral G, amarelas como o nosso Sol. Ambas estrelas têm magnitude 5,2 e estão a apenas 39 anos luz do nosso sistema solar. (Zeta-1 Reticuli está a 39,16 anos luz e Zeta-2 Reticuli está a 39 ,24 anos luz da Terra.)
Zeta-1 Reticuli tem classificação espectral G3-5V. É uma estrela amarela da sequência principal. Zeta-2 é uma anã amarela de classificação G2V e circundada por um disco de poeira. O período orbital deste sistema binário é de aproximadamente 170.000 anos.
Por fim, vale destacar que este sistema binário tem uma separação de 309”! Vale a pena tentar observar este sistema binário, gravitacionalmente unido, a olho nu e perceber os dois componentes do sistema. Será necessária uma noite escura e com o ar calmo sem turbulência para lograrmos êxito.

R Reticuli
R Reticuli é uma estrela variável do tipo Mira (Omicron Ceti). Uma gigante vermelha pulsante que irá expelir suas camadas mais externas numa nebulosa planetária daqui a alguns milhões de anos se transformando em uma anã branca. R Reticuli tem uma magnitude visual que varia entre 6,35 e 14,2 num período de 281 dias e está a aproximadamente 5000 anos luz do Sol.

HD 23079
É uma estrela que pertence à sequência principal apresentando classificação espectral F8. Sua magnitude aparente é de 7,1 e a distância em torno de 113 anos luz. HD 23079 destaca-se por possuir um planeta 2,5 vezes mais massivo que Júpiter orbitando a seu redor numa órbita de 730,6 dias.

HD 25171
É outra estrela ao alcance de pequenos telescópios que possui um planeta orbitando. HD 25171 tem magnitude 7,8 e classe espectral F8V. Está a 179 anos luz de distância. Possui um planeta com 95% da massa de Júpiter girando ao seu redor num período de 1.845 dias.

Objetos Deep-Sky
A pequena constelação de Reticulum não apresenta grandes destaques entre objetos de céu profundo ao alcance que telescópios amadores. Porém podemos destacar a galáxia NGC 1559.
NGC 1559 é uma galáxia espiral barrada classificada como uma galáxia do tipo Seyfert. Tem uma magnitude visual de 11 e está a 50 milhões de anos luz. Esta galáxia é aproximadamente sete vezes menor que a Via Láctea e contem espessos braços espirais com regiões de intensa formação de estrelas. É origem de fortes emissões de rádio além de ter três supernovas descobertas nela recentemente: SN 1984J, SN 1986L, SN 2005DF.

  
OBRIGADO A TODOS.

Referências:

MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,

CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2016. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2015. 115p. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2016.pdf>

- AMORIM, Alexandre. Anuário Astronômico Catarinense 2016. Florianópolis: Ed: do Autor, 2015.

- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>.

- HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Update v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip>

- http://www.calsky.com/cs.cgi - Access in 24 Set. 2016.

- Chéreau, Fabien. Software Stellarium. versão 15.0, setembro. 2015 Disponível em:  <http://www.stellarium.org/pt_BR/>

-   http://www.constellation-guide.com/constellation-list/reticulum-constellation/ 

O asteroide (60) Echo em 2016!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 27 de novembro próximo, o asteroide Echo estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = -0.057, quando então sua magnitude chegará a 10.1, desta forma dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de médio porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa contendo ainda em destaque no quadro vermelho estrelas de referência, (omitida vírgula ou ponto com a finalidade de evitar o que possa representar estrelas) facilitando assim sua localização nesta época.

Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 60 Echo foi descoberto em 14 de setembro de 1860 pelo inglês James Ferguson (1797 - 1867), no Observatório de Washington, seu nome é homenagem a Eco, ninfa extremamente tagarela e impertinente e que tinha o hábito de reter a atenção de Hera com conversas enquanto Zeus enganava sua esposa legitima com belas mortais. Um dia, Hera a condenou com as palavras "Você terá sempre a última palavra, jamais falará no início”, passando ela então a ser a personificação do fenômeno acústico conhecido como Eco. (MOURÃO, 1987).

Notas:
1 = Nota: (au)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância media da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) OAM (2015).

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2016. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2015. Disponível em: <http://www.ceamig.org.br/5_divu/alma2016.pdf> Acesso em 17 Nov. 2015.

- CHEVALLEY, Patrick. SkyChart / Cartes du Ciel - Version 3.8, March. 2013. Disponível em:   <http://ap-i.net/skychart/start?id=en/start>. - Acesso em: 26 Nov. 2015.


Grupo de Reconhecimento e Estudos do Céu: o que estamos aprendendo? Setembro 2016

Aléxia Lage de Faria
alagef@gmail.com
CEAMIG/GREC

“Não olhe para estrelas apenas como pontos brilhantes. 
Tente compreender a vastidão do Universo.”
Maria Mitchell – Astrônoma, 1818 - 1889

O Grupo de Reconhecimento e Estudos do Céu possui como missão criar e manter a cultura da observação e reconhecimento da esfera celeste entre os associados recém-ingressos nos quadros do CEAMIG – Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais (CAMPOS, 2014). Os membros se reúnem aos sábados para estudo teórico e/ou prático e mensalmente realizam observações, quando as condições do tempo assim permitem. 

Durante as reuniões do grupo, realizadas no período de 30/07/2016 a 27/08/2016, foi estudada a Observação de Estrelas Variáveis sendo focados o método fracionário, a avaliação de resultados, o registro de observações e o Dia Juliano.
          Na parte prática, foi dada continuidade ao Programa Observacional de Nebulosidade – PON, iniciado em 1°de dezembro de 2015. Dessa vez, porém, em vez de apresentarmos a coleta de estimativas referente ao mês de agosto, apresentaremos um informe sazonal, referente ao período de vigência da estação do Inverno (20/06/2016 a 21/09/2016). Assim, poderemos ter uma visão da nebulosidade ocorrida durante essa temporada e compará-la também com a registrada nas estações do Verão e do Outono.

          Além disso, foi dada continuidade ao Programa de Treinamento Observacional – Star Hopping, referente à observação de estrelas no período crepuscular, seja ele matutino ou vespertino. Os resultados serão também apresentados mais à frente neste texto.

          Resultados do Programa Observacional de Nebulosidade – Informe Sazonal – Estação do Inverno

          Para reportar as estimativas coletadas, foi definida uma Sintaxe de Reporte. No caso específico de reporte para uma estação do ano, a sintaxe utilizada é mostrada na Figura 1.

           Figura 1 - Sintaxe de Reporte para as estimativas de nebulosidade coletadas.
          Fonte: CEAMIG, 2015-2016.

          Na Figura 2, é apresentado o reporte de nebulosidade referente ao período de 20/06/2016 a 21/09/2016.

           Figura 2 - Reporte de Nebulosidade referente ao período de 20/06/2016 a 21/09/2016 (Inverno).
          Fonte: CEAMIG, 2015-2016.

          O resultado do Índice Médio Sazonal Individual (IMSI) da estação do Inverno, para cada observador, pode ser visto na Figura 3:

          Figura 3 - Índice Médio Sazonal Individual para a estação do Inverno.
          Fonte: CEAMIG, 2015-2016.

          A seguir, são mostrados os resultados comparativos do Índice Médio Sazonal Final (IMSF) para o Verão, Outono e Inverno (Figura 4). Note-se que o Inverno corresponde ao período de menor nebulosidade. Esse resultado era esperado, pois tipicamente o período invernal é caracterizado como o de menor ocorrência de nuvens.

          Figura 4 -  Índice Médio Sazonal Final para as estações do Verão, Outono e Inverno.
          Fonte: CEAMIG, 2015-2016.

          Por fim, foram gastas 2,7h na coleta de estimativas para a estação do Inverno (Figura 5).

           
          Figura 5 -  Produtividade Observacional as estações do Verão, Outono e Inverno em 2016.
          Fonte: CEAMIG, 2015-2016.

          Resultados do Programa de Treinamento Observacional – Star Hopping

          O Programa de Treinamento Observacional (Atividades Práticas) utiliza-se da aplicação da metodologia mundialmente conhecida como "Star Hopping". Foi formalmente iniciado em fevereiro/2016, sendo que essa atividade consiste na identificação correta de uma estrela utilizando-se um planisfério celeste rotativo e o registro de seus dados observacionais, tais como a data e hora de observação (em Tempo Universal), o nome da estrela, a constelação a que pertence e o cálculo aproximado da altura em que se encontra (em graus) e indicando ainda em qual quadrante foi observada (Leste ou Oeste), buscando-se com isso o momento teórico de sua Passagem Meridiana. Também podemos anotar em qual período foi realizada a observação tais como: nas diversas fases do Crepúsculo (Civil, Náutico, Astronômico), podendo ser Matutino ou Vespertino, ou mesmo no Período Noturno; as condições de visibilidade (em percentuais % de nebulosidade) e a fase da Lua.

          Até o momento, desde o início deste programa, foram realizadas 565 observações de estrelas. No período de 12/08/2016 a 12/09/2016, 70 observações foram registradas por 3 observadores, conforme mostrado na tabela a seguir:

          Tabela 1 -  Quantidade de observações realizadas por cada observador, totalizando-se 70 registros.
          Fonte: CEAMIG, 2016.

          Foram identificadas 55 estrelas de 20 constelações, conforme mostrado na tabela a seguir:

           Tabela 2 - Constelações e estrelas observadas no período de 12/08/2016 a 12/09/2016.
          Fonte: CEAMIG, 2016.

          As estrelas mais observadas neste período foram Fomalhaut e Alnair (Tabela 3):

           Tabela 3 -  Número de vezes com que cada estrela foi observada.
          Fonte: CEAMIG, 2016.

          As observações ocorreram predominantemente no Período Noturno, seguidas por registros nos Crepúsculos Astronômico Vespertino, Náutico Vespertino e Civil Vespertino (Tabela 4):

           Tabela 4 -  Número de registros conforme o período de observação.
          Fonte: CEAMIG, 2016.

          No próximo informativo, serão apresentados os resultados do Programa Observacional de Nebulosidade (referente ao mês de setembro) e do Programa de Treinamento Observacional – Star Hopping (referentes a um período compreendido entre setembro e outubro/2016). 

          REFERÊNCIAS

          CAMPOS, Antônio Rosa. (arcampos_0911@yahoo.com.br). [Ceamig] Grupo de Estudos de Reconhecimento do Céu! [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por ceamig@yahoogrupos.com.br em 24 nov. 2014.

          CEAMIG – CENTRO DE ESTUDOS ASTRONÔMICOS DE MINAS GERAIS. Base de Dados do Programa Observacional de Nebulosidade 2015-2016. Dados referentes ao período de janeiro a setembro de 2016, coletados pelo Grupo de Reconhecimento e Estudos do Céu - GREC. Belo Horizonte: CEAMIG, 2015-2016.

          CEAMIG – CENTRO DE ESTUDOS ASTRONÔMICOS DE MINAS GERAIS. Base de Dados do Programa de Treinamento Observacional – Atividades Observacionais do Crepúsculo 2016. Dados referentes ao período de 12/08/2016 a 12/09/2016, coletados pelo Grupo de Reconhecimento e Estudos do Céu - GREC. Belo Horizonte: CEAMIG, 2016.

          A vingança de Giordano

          Nelson Alberto Soares Travnik (*)
          nelson-travnik@hotmail.com
          Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum

          Recentemente o noticiário internacional destacou a descoberta de um exoplaneta na zona habitável orbitando a estrela Alpha Centauri C ou, simplesmente Próxima, nossa vizinha no espaço a “apenas” 4,22 anos-luz. 

          Alpha Centauri é uma estrela tripla: duas são muito brilhantes A e B e a terceira C é uma massiva anã vermelha apenas com diâmetro uma vez e meia maior que Júpiter. Com uma magnitude de +11.05 torna-se muito difícil de ser localizada. Estima-se que gasta alguns milhões de anos para completar uma volta em torno das suas companheiras A e B. Se a noticia provocou impacto nos leigos, para os astrônomos não causou nenhuma surpresa uma vez que em 3000 exoplanetas pesquisados, 68 são próximos ao tamanho da Terra e estão na zona habitável. Desde a descoberta do primeiro exoplaneta em 1990, seu número atual está próximo a 5000 e não para de crescer. Com isto já é aceito que a maioria das estrelas possuem planetas ao seu redor e, por analogia, também possuirão satélites, asteróides e cometas. Esse raciocínio leva-nos a conclusão que pode haver civilizações lá fora que já chegaram a um estágio de desenvolvimento suficiente para emitir ondas de rádio. Assim sendo, já é aceito que nos próximos 25 anos através das gigantescas antenas dos nossos radiotelescópios chegará a tão aguarda mensagem: também estamos aqui!

          Somos Poeira de Estrelas

          Os cientistas concordam que somos subproduto de água, terra, luz e outros elementos gerados no interior de uma estrela: o Sol. Dez por cento do peso médio do corpo humano é composto por átomos de hidrogênio. Todo o resto é de elementos mais pesados que o hélio, justamente aqueles produzidos dentro das estrelas. A descoberta de diversas moléculas orgânicas no meio interestelar, gelo e carbono nos cometas e astros assemelhados, reforça a idéia de que o universo é um celeiro de vida. A nucleosíntese primordial e a nucleosíntese estelar produziram elementos que fazem parte dos nossos corpos. Sim, somos feitos de poeira de estrelas!

          O renascer de uma ideia antiga

          A possibilidade de existir outros mundos com formas de vida é antiga e na Grécia já se pensava nisso. A Escola de Epícuro (341 -271) ensinava que não havia nenhum obstáculo para haver infinito número de mundos parecidos com o nosso. O poeta romano Titus Lucretio (97 -55) defendia igual pensamento. No século XV o cardeal Nikolaus de Cusa sustentava a pluralidade dos mundos habitados com anuência do Papa Eugênio IV. Com a reformulação do sistema heliocêntrico por Nicolau Copérnico (1473-1543), endossada a seguir por Galileu Galilei (1564-1642) e Johannes Kepler (1572-1630), o fato atingiu em cheio as “verdades” impostas pela Igreja. Destronar a Terra do centro do sistema solar, do universo, da criação, indo de encontro aos doutores da Igreja era inadmissível, uma heresia. O curioso é que já muito antes de Copérnico, o astrônomo grego Aristarco de Samos (310 -230) demonstrava que a Terra e os outros planetas giravam ao redor do Sol e que o movimento das estrelas à noite era aparente, causado pela rotação da Terra. Copérnico salvou-se da Inquisição pois seu livro propondo o heliocentrismo só lhe chegou ás mãos no leito de morte. Galileu contudo não teve a mesma sorte e teve que se retratar perante o Tribunal da Santa Inquisição para  escapar da fogueira. A pena foi abrandada para prisão domiciliar em Arcetri, próximo a Florença. Foi necessário dois séculos para que a Igreja admitisse oficialmente em 1822 que a Terra girava ao redor do Sol.

          Giordano Bruno, Mártir da Ciência

          Um destino trágico contudo estava reservado a Giordano Bruno (1548-1600). Fascinado pela imensidão do universo que os astrônomos de sua época estavam revelando contrapondo ao universo fechado pela filosofia aristotélica defendida pela Igreja, ele opôs um universo infinito. Defensor da teoria heliocêntrica de Aristarco e Copérnico, ele chegou a admitir também a existência de outros mundos.  Em seu livro “De l’ Infinito, Universo e Mondi”, Acerca do Infinito, Universo e Mundos, ele escreveu : “há incontáveis terras orbitando em volta de seus sóis da mesma maneira que os seis planetas do nosso sistema”. Para a Igreja isso soou inadmissível pois era ir de encontro ao que ela defendia. Ademais, se existiam infinitos mundos, muitos deles habitados, como seria a “salvação” dos seus habitantes? Uma réplica do que ocorreu aqui?  Giordano Bruno com a coragem dos heróis, enfrentou com altivez o Tribunal da Santa Inquisição não se retratando de suas convicções e o que ditava sua consciência.  Foi acusado de ser inimigo de todas as religiões, crer na existência de outros mundos e na infinidade do universo. Sofreu um processo que durou sete anos e no dia 9 de fevereiro de 1600, condenado por sua “heresia”, foi queimado vivo no Campo di Fiori em Roma tendo exclamado antes do suplício : “Minha alma subirá ao Paraíso junto com a fumaça do meu corpo”. Giordano Bruno, espírito renovador, alma límpida, apóstolo da ciência do céu, não se deixou intimidar pelas ameaças vindas de uma Igreja fechada as novas idéias do movimento renascentista e corroída por escândalos e dogmas que feriam a razão. Passados 416 anos, desde 1990 a astronomia nos vem revelando a pluralidade dos mundos em nossa galáxia comprovando Giordano Bruno e que a fé nunca pode estar divorciada dos conhecimentos científicos. 

          O autor é astrônomo no Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.