terça-feira, 1 de agosto de 2017

O Eclipse Total do Sol em 21 de agosto 2017!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 21 de agosto ocorrerá o quarto (e último eclipse de 2017), sendo que nesta oportunidade o eclipse será total e visível de forma total em grande parte da América do Norte (cortando costa a costa os Estados Unidos), A faixa de totalidade terá início ao norte do oceano pacífico, finalizando-se também na porção setentrional do oceano Atlântico de acordo com a figura 1. 

Nas demais regiões (ao norte e ao sul) das Américas, isso também incluí as regiões Oeste da África e da Europa, bem como também o nordeste da Ásia, o eclipse será observado de forma parcial conforme é apresentado inclusive nas tabelas enumeradas de 1 a 6. 

Regiões de visibilidade parcial

No continente africano o eclipse poderá ser observado das seguintes localidades: Cabo Verde, Marrocos e Senegal, onde o eclipse poderá ser observado em seu término (para algumas nações isso se dará junto à linha oceânica do Atlântico), junto ao horizonte oeste conforme apresentado na tabela 1.

De igual forma isso também ocorrerá no continente europeu quando então algumas localidades situadas naquela região; isso inclui partes da Alemanha, Andorra, Bélgica, Dinamarca, Espanha, França, Ilhas Faroé, Islândia, Noruega, Países Baixos (Holanda), Portugal e Reino Unido (Escócia, Irlanda e Ilha de Man) de acordo com a tabela 2 abaixo.

Regiões ao Sul da América do norte onde a tabela 3 abaixo, inclui a América central nas seguintes localidades: Aruba, Barbados, Belize, Costa Rica, Cuba, Ilhas Cayman, Rep. Dominicana, El Salvador, Guadalupe, Guatemala, Honduras, Jamaica, Nicarágua, Panamá, Porto Rico, São Cristóvão e Nevis e a região de Trinidad e Tobago. Este evento terá uma melhor visibilidade em Marigot na região do Caribe.

Na América do Sul onde a tabela 4 abaixo inclui localidades no Brasil, Colômbia, Equador, Suriname e Venezuela a cidade de Paramaribo no Suriname localidade de Macapá no Brasil poderá ter a maior cobertura de disco solar eclipsado nesta região.

Conforme acima ainda mencionado, a linha central da totalidade deste eclipse terá início na porção norte do oceano pacífico, entretanto a localidade de Anadyr no extremo nordeste da Rússia poderá observar a fase inicial deste eclipse junto a linha do horizonte do Oceano Glacial Ártico conforme apresentado na tabela 5 abaixo.


As regiões adjacentes, o cone de sombra e a duração do Eclipse

Conforme poderemos vislumbrar pela figura 2 as regiões norte e sul do cone de sombra observarão este evento de forma parcial; assim a tabela 6 abaixo apresentará as circunstâncias gerais de visibilidade para Bermudas (Hamilton), Canadá e México. 

A sombra inicia-se em algum ponto do norte do oceano pacífico sobre as coordenadas de latitude: 39.852°N e longitude: -170.999W e fina. O instante máximo do eclipse o território norteamericano próximo às localidades de Columbia - MO, Carbondale - IL e Nashville - TN, quando então a duração da totalidade está estimada em 2.40s. O eclipse se encerra sobre o oceano Atlântico em algum ponto sobre as coordenadas de latitude: 11.139°N e longitude: -28.010W cerca de 640 km a sudoeste de Praia em Cabo Verde conforme figura 2.

Já para localidades do território norteamericano a visibilidade de essas circunstâncias estão apresentadas na tabela 7. 

Sobre a linha central da totalidade, o eclipse abrange os seguintes estados: Oregon, Idaho, Montana (pequena porção ao sul do Condado de Beaverhead), Wyoming, Nebraska, Kansas, Iowa (pequena porção a sudoeste do condado de Fremont), Missouri, Illinois, Kentucky, Tennessee, Carolina do Norte, Geórgia e Carolina do Sul (CAMPOS, 2016). 

Assim sendo a tabela 8 apresenta as circunstâncias de totalidade para algumas localidades destas regiões.

Certamente esses observadores novamente darão razão ao astrônomo norte-americano, o conhecido “caçador de eclipses” Jay Myron Pasachoff quando compara a diferença entre observar um eclipse solar parcial e um total; à sensação é de assistirmos uma ópera ou ficar do lado de fora do teatro; não devemos pensar que Pasachoff está exagerando, entretanto o registro científico de qualquer evento astronômico, quando compartilhado é extremamente gratificante, visto que além de observador, passamos também a condição de participantes do fenômeno.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2017. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2016. 135p. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/0B92tNur3vviSSGoyYW9lNlg5SFU/view?usp=sharing> Acesso em 02 Dez. 2016.

- HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 28 Abr. 2016.

- ____________. Sky and Observers, O Eclipse Anular do Sol em 01 de setembro 2016: Disponível em: < http://goo.gl/uBFYSg> Acesso em:  08 Jan. 2017.

- ESPENAK, Fred. NASA's GSFC" - Eclipse Web Site - Available in <http://eclipse.gsfc.nasa.gov/SEdecade/SEdecade2011.html> - acess on: 10 July 2017.

A ocultação de Aldebaran pela Lua em 16 de agosto 2017!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 16 de agosto próximo, a Lua -36% iluminada e uma elongação solar de 74°, novamente ocultará a estrela Aldebaran (Alpha Tauri) de magnitude 0.9 (Figura 1), classe e tipo espectral K5+III. Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado numa grande extensão da superfície terrestre.

Desta forma, observadores localizados no Continente africano (Argélia, Cabo Verde, Egito, Líbia, Marrocos e Tunísia); na América Central (Aruba, Barbados, Rep. Dominicana, Jamaica, Porto Rico, São Cristóvão e Nevis e Trinidad e Tobago); na Ásia (Afeganistão, Arábia Saudita, Catar, Chipre, Emirados Árabes Unidos, Índia, Irã, Iraque, Israel, Jordânia, Kuwait, Líbano, Omã, Paquistão, Rússia, Turquemenistão e Uzbequistão); na Europa (Albânia, Alemanha, Andorra, Armênia, Áustria, Azerbaijão, Bélgica, Belarus, Bósnia e Herzegovina, Bulgária, Rep. Checa, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, França, Geórgia, Grécia, Hungria, Itália, Letônia, Liechtenstein, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Ilha de Man, Rep. Moldávia, Noruega, Países Baixos (Holanda), Polônia, Portugal, Reino Unido (Escócia, Irlanda e Ilha de Man), Romênia, Rússia, Sérvia, Suécia, Suíça, Turquia, e Ucrânia); na América do Norte (Bermudas e Estados Unidos) e região norte da América do Sul (Brasil, Colômbia, Suriname e Venezuela) poderão acompanhar esse evento, conforme e apresentado nas tabelas abaixo enumeradas de 1 a 6 respectivamente. 


E importante mencionar que esta ocultação será visível de forma diurna em diversos continentes acima mencionados e que as tabelas contendo nações localizadas na Europa foram subdivididas com a finalidade de inserção das diversas localidades, onde existem diversos observadores com potencial interesse neste registro.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo apresentamos o mapa global (figura 2) com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange as regiões localizadas nos oceanos Atlântico e Pacífico. 

Albebaran 

Alpha Tauri (tipo espectral K5+III) a conhecida estrela Albebaran (figura. 3), cujo nome tradicional de origem árabe significa aquela que segue as Plêiades e uma estrela com diâmetro 36 vezes superior ao do Sol e temperatura superficial de cerca de 3.000ºK. Está situada à distância de 64 anos-luz (MOURÃO, 1987). O Atual ciclo das ocultações lunares de Aldebaran começaram a ocorrer em 29 de janeiro de 2015, perdurando até a ocultação de 03 de setembro de 2018. Um novo ciclo somente terá reinício em 2033 até o ano de 2037.

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

No Facebook:

“Ocultações Astronômicas”.

Este grupo destina-se à divulgação e discussão de eventos astronômicos na área de 'Ocultações'. Ocultações de estrelas e planetas pela Lua, ocultações de estrelas por asteroides e as técnicas empregadas para o registro destes eventos.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2017. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2016. 135p. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/0B92tNur3vviSSGoyYW9lNlg5SFU/view?usp=sharing> Acesso em 02 Dez. 2016.

WALKER, John. Your Sky - Fourmilab Switzerland, 2003. Disponível em <http://www.fourmilab.ch/yoursky/catalogues/starname.html> - Acesso em 05 ago. 2014.

HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 28 Abr. 2016.

O asteroide (89) Julia em 2017!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 07 de setembro próximo, o asteroide Julia estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = -0.994), quando então sua magnitude chegará a 9.0, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de pequeno porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa, auxiliando na identificação de algumas estrelas de referência e objetivando sua localização nos próximos dias. 

Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 89 Julia foi descoberto em 06 de agosto de 1866 pelo astrônomo pelo astrônomo francês Édouard Jean-Marie Stephan (1837 – 1923) no Observatório de Marselha. O nome é uma homenagem a uma jovem das relações do descobridor. (MOURÃO, 1987).

Notas:
1 = Nota: (au)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância media da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) OAM (2015).

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2017. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2016. 135p. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/0B92tNur3vviSSGoyYW9lNlg5SFU/view?usp=sharing> Acesso em 02 Dez. 2016.

OAM (IAG-USP) - http://www.observatorio.iag.usp.br/index.php/mencurio/curiodefin.html - Acesso em 18 Ago. 2015.

IAU (MPC). http://www.minorplanetcenter.net/iau/lists/NumberedMPs000001.html - Acesso em 04 Mai. 2014.

O gelo que veio do espaço!

Nelson Alberto Soares Travnik (*)
nelson-travnik@hotmail.com
Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum

Enormes pedras de gelo caem em Campinas e Itapira,SP, provocando estragos e sustos. Pelas suas proporções, evento ainda é um mistério.

É como se poderia chamar um fato insólito, único talvez no mundo, acontecido em Campinas e Itapira, SP, na manhã de 11 de julho de 1997. Um bloco de gelo pesando entre 200 a 300 kg caiu do espaço em um prédio da Montadora Mercedes Benz no Distrito Industrial, próximo a Rodovia Santos Dumont, causando um rombo de 1,5 X 2,0 metros em telha de amianto com 1 cm de espessura, estilhaçando e amassando uma porta de aço. Isso ocorreu com o céu completamente claro, típico de inverno, sem nuvens. As hipóteses de formação de bloco de gelo pela atmosfera em estrutura de aeronave voando acima de 6.000 metros de altitude foram descartadas por se tratar de uma formação com peso totalmente fora dos padrões conhecidos. Alguns pedaços recolhidos foram conservados em um freezer e enviados a UNICAMP. 

EM  ITAPIRA

Em 18 de julho, uma semana mais tarde, outro bloco de gelo estimado em 50/60 kg caiu no Sítio São Luiz, a 2 km ao sul da cidade de Itapira,SP, chegando a abrir um buraco de 25 centímetros de profundidade. A exemplo de Campinas, o céu estava completamente claro. As coordenadas dos dois locais e o ângulo de choque aproximadamente 30 graus no sentido leste-oeste verdadeiro, mostram uma origem comum. Segundo testemunhas, o bloco de gelo caiu numa velocidade extremamente alta causando ruído semelhante ao de um avião a jato. Felizmente 0,8 kg foram guardados em um saco plástico e conservados em um freezer para estudos na Casa de Agricultura de Itapira e posteriormente enviados a UNICAMP.

Pesquisadores nas áreas de meteorologia e astronomia foram unânimes em dizer que desconheciam até aquele momento esse tipo de fenômeno. As análises químicas feitas na UNICAMP – CEPAGRI – CENTRAL ANALÍTICA – INSTITUTO DE QUÍMICA, no CENA – USP de Piracicaba e posteriormente no prestigioso Sandia National Laboratory - USA, não acusaram nenhum traço de insetos e resíduos de vegetação que indicassem contaminação  terrestre. Convidado na ocasião como especialista na área de cometas, tendo já publicado um livro sobre o assunto, desde o inicio, examinando o material, optei serem os mesmos pedaços de um cometa, um ‘hidrometeorito cometário’, uma vez que o percentual de gelo nesses astros é muito grande e que vez por outra ocorre o esfacelamento do núcleo no espaço provocado pela fraca coesão dos seus componentes submetidos a temperaturas elevadas ao se aproximar do Sol e efeitos gravitacionais. Minha opinião partilhada por alguns colegas desta área, encontrou respaldo logo a seguir com a hipótese do físico Louis A. Frank da Universidade de Iowa - USA, segundo o qual, milhares de pedaços de gelo bombardeiam a Terra, quebrando-se em pedaços na alta atmosfera onde o gelo desintegra-se e se mistura as nuvens e cai em forma de chuva. 

A hipótese do físico americano não levada a serio pelos cientistas, viu-se comprovada posteriormente por câmaras sensíveis no ultravioleta a bordo de artefato espacial polar da NASA. Para Frank, esse bombardeio durante bilhões de anos pode ter formado os oceanos e até trazido carbono suficiente para dar inicio a vida na Terra. No caso de Campinas e Itapira, pedaços tão grandes de gelo que entraram  na alta atmosfera, submetidos a um desgaste muito grande, deveriam pesar no espaço várias toneladas! Nesse particular, o evento foge aos padrões conhecidos e ainda é motivo para melhores estudos e pesquisas. 

(*) Nelson Alberto Soares Travnik é diretor do Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum - SP e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.

sábado, 1 de julho de 2017

A ocultação de TYC 0022-01069-1 por (90) Antiope em 09 de julho 2017!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Na madrugada de 09 de julho próximo, o asteroide (90) Antiope, ocultará a estrela TYC 0022-01069-1 de magnitude 11.0 na constelação de Pisces, proporcionando uma rara oportunidade da realização do registro deste tipo de fenômeno aos observadores localizados em sua região de abrangência (Figura 1) apresentada abaixo (PRESTON, 2017).

Regiões de Abrangência 

Numa rápida análise da figura acima, podemos observar que o evento ainda na fase noturna do dia, terá uma excelente visibilidade na América do Sul, sendo que o início da fase crepuscular matutina iniciar-se-á junto à costa do Brasil; este fato deixa o continente africano numa posição desfavorável ao registro desta observação onde o Sol obviamente, já encontrar-se-á acima do horizonte.

A figura 2 (Google, 2017) indica que o início da projeção da sombra, recairá sobre a região do oceano pacifico junto à costa do Chile e terminará junto à costa do Brasil, sendo assim, toda essa região torna-se muito favorável para as observações deste fenômeno.

Uma vez na superfície deste continente, ela recairá sobre as seguintes regiões: Chile (território de Coquimbo e Limarí, incluindo La Serena e Ovalle), norte da Argentina (incluindo o norte de San Juan, La Rioja, Catamarca, sul de Tucumán, Santiago del Estero e Chaco), Paraguai (região central incluindo Assunção); sul, sudeste e extremo sul da região nordeste do Brasil (incluindo localidades como: Cianorte, Maringá e Londrina no Paraná; Assis, Bauru e São Carlos em São Paulo; Poços de Caldas, Passos, Oliveira, Belo Horizonte e Caratinga em Minas Gerais; Colatina, São Gabriel da Palha, Jaguaré e São Mateus no Espírito Santo; Mucuri, Nova Viçosa, e Caravelas no extremo sul da Bahia).

(90) Antiope e TYC 0022-01069-1

No caso desta ocultação, a luz combinada do asteroide e da estrela cairá em 2.57 magnitude, chegando a 13,50 igualando a de (90) Antiope num período de tempo estimado em 7 segundos; em sua ultima oposição ocorrida em 12 de junho de 2016, (90) Antiope encontrava-se com uma magnitude visual estimada em 11.82 na constelação de Ophiuchus. 

Em 19 de julho de 2011 ainda, este mesmo asteroide ocultou a estrela LQ Aquarii, uma variável e gigante vermelha de classe e tipo espectral M0 cujo raio de magnitude encontram-se em 6.71 e 6.78, (AAVSO, 2017) respectivamente, quando uma boa quantidade de observadores contribuiram para determinar o perfil deste asteroide duplo, cujo satélite (S/2000 (90) 1) foi descoberto em 2000 por William Merline e seus colaboradores, observando ainda que esse asteroide era composto de dois componentes de tamanho semelhante, tornando-se um asteroide "binário” (Astronomy Magazine, 2007).

Muito pouco se sabe sobre TYC 0022-01069-1 que embora se encontre na constelação de Pisces, poderá ser facilmente localizadas se utilizarmos como referências as estrelas: 80 Psc de magnitude 5.52 uma binária de classe e tipo espectral F0III-IV; 73 Psc de magnitude 6.35 e classe espectral gK5, bem como ainda o espetacular sistema múltiplo 77 Psc onde a primária possui magnitude 6.35 e a secundária magnitude 7.35 respectivamente, conforme carta de busca apresentado na figura 3.

Suas coordenadas equatoriais (ascensão reta e declinação) são: AR: 01 08 12.5651  Decl: +04 46 30.948  (J2000.0) respectivamente. 

Segundo o observador brasileiro Antonio Padilla Filho (REA/Brasil), o registro das ocultações por observadores não-profissionais não tem muitos adeptos no nosso país. O campo é fértil para a produção de dados precisos se forem utilizados equipamentos adequados, que hoje estão ao alcance de qualquer pessoa que tenha interesse e o mínimo de recursos (PADILLA FILHO, 2016).

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

No Facebook:

“Ocultações Astronômicas”.

Este grupo destina-se à divulgação e discussão de eventos astronômicos na área de 'Ocultações'. Ocultações de estrelas e planetas pela Lua, ocultações de estrelas por asteroides e as técnicas empregadas para o registro destes eventos.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

- CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2017. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2016. 135p. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/0B92tNur3vviSSGoyYW9lNlg5SFU/view?usp=sharing> Acesso em 02 Dez. 2016.

- PADILLA FILHO, Antonio. Sky and Observers, A ocultação de TYC 5667-00417-1 por 236 Honoria. Disponível em: http://goo.gl/l7n3Z8, Acesso em 22 maio 2017. 

- HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 21 Abr. 2017.

- ROBINSON, Rob. IOTA (Webmasters Homepage) <http://www.lunar-occultations.com/iota/iotandx.htm> - Acess in 16 Jan. 2017.

- PRESTON, Steve. (Steve's Asteroid Occultation Index Page) Availabe in: < http://www.asteroidoccultation.com/2017_07/0709_90_51144_Summary.txt> - Acess in: 16 may 2017.

- AAVSO Home (VSX) Index. 1110, Available in: <http://www.aavso.org/vsx/index.php?view=detail.top&oid=1110> - Acess in: 22 May 2017.

- Astronomy Magazine (website). Available in: <http://www.astronomy.com/news/2007/04/double-asteroid-antiope> Acess in: 22 May 2017.

O asteroide (25) Phocaea em 2017!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil - AWB

Em 17 de agosto próximo, o asteroide Phocaea estará com seu posicionamento favorável às observações (fase da Lua = -0.283), quando então sua magnitude chegará a 10.0, portanto dentro dos limites de magnitudes observáveis de instrumentos óticos de pequeno porte. A tabela abaixo apresenta suas efemérides e bem como uma carta celeste ilustrativa, objetivando sua localização nos próximos dias. 

Como demonstra seu número em ordem de nomeação indicado acima entre parênteses, 25 Phocaea foi descoberto em 06 de abril de 1853 pelo astrônomo pelo astrônomo francês Jean Chacornac (1823 – 1873) no Observatório de Marselha. (MOURÃO, 1987).

Notas:
1 = Nota: (au)* Conforme a Resolução da IAU 2012 B2, acolhendo proposta do grupo de trabalho “Numerical Standards for Fundamental Astronomy”, redefiniu-se a unidade astronômica de comprimento correspondendo à distância media da Terra ao Sol equivalendo assim a 149.597.870.700 metros, devendo ser representada unicamente por au (“astronomical unit”) OAM (2015).

2 = As coordenadas equatoriais ascensão reta e declinação (J2000.0) são apresentadas no formato HH:MM:SS (hora/grau, minuto e segundo).

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2017. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2016. 135p. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/0B92tNur3vviSSGoyYW9lNlg5SFU/view?usp=sharing> Acesso em 02 Dez. 2016.

OAM (IAG-USP) - http://www.observatorio.iag.usp.br/index.php/mencurio/curiodefin.html - Acesso em 18 Ago. 2015.

IAU (MPC). http://www.minorplanetcenter.net/iau/lists/NumberedMPs000001.html - Acesso em 04 Mai. 2014.

quinta-feira, 1 de junho de 2017

A ocultação de sigma Leo pela Lua em 02 de junho 2017!

Antônio Rosa Campos
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Em 02 de junho próximo a Lua +56% iluminada e uma elongação solar de 97°, ocultará a estrela sigma Leonis de magnitude 4.1 e tipo espectral B9.5V (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado numa pequena parte da superfície terrestre.

Desta forma, os observadores localizados numa estreita faixa do oeste da América Central (Costa Rica, El Salvador, Guatemala, Nicarágua e Panamá) poderão acompanhar os eventos de Desaparecimento e Reaparecimento desta estrela, conforme apresentado na tabela 1. 

Já na região sudoeste da América do Norte, (mais especificamente a costa do Pacífico no México), o evento poderá também ser observado de forma integral (Desaparecimento e Reaparecimento); entretanto na região do arquipélago havaiano o evento ocorrerá a na faixa diurna conforme apresentado na tabela 2.

Já na região equatorial da América do Sul (Argentina, Bolívia, Brasil, Chile e Peru), somente a fase de desparecimento poderá ser acompanhada; entretanto  ambas as fases poderão ser observadas de algumas regiões da Colômbia e Equador, sendo que observadores na cidade de Mérida (nos Andes venezuelanos) poderão acompanhar também essas duas fases distintas conforme apresentado na tabela 3.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo apresentamos o mapa global (figura 2) com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange as respectivas regiões, ilhas e reservas naturais localizadas na região equatorial e ao norte do oceano Pacífico.

Sigma Leonis
A designação de Bayer para sigma Leonis e ainda 77 Leo para o número de Flamsteed (figura. 3) indica tratar-se de uma estrela comum de Velocidade Radial: -5.3 [km/s]. São também designações para essa estrela: HR 4386, BD +06 2437, HD 98664, SAO 118804, FK5 427, HIP 55434 e ZC 1644.



Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

No Facebook:

“Ocultações Astronômicas”.

Este grupo destina-se à divulgação e discussão de eventos astronômicos na área de 'Ocultações'. Ocultações de estrelas e planetas pela Lua, ocultações de estrelas por asteroides e as técnicas empregadas para o registro destes eventos.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2017. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2016. 135p. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/0B92tNur3vviSSGoyYW9lNlg5SFU/view?usp=sharing> Acesso em 02 Dez. 2016.

HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 21 Abr. 2017.


A ocultação de Netuno pela Lua em 16 de junho 2017!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 16 de junho próximo a Lua -60% iluminada e numa elongação solar de 102°, ocultará o planeta Netuno, nesta oportunidade com uma magnitude visual de 7.9. Trata-se de mais uma rara oportunidade da realização do registro da ocultação (figura. 1) do mais exterior dos planetas existentes no sistema solar; sendo este evento diurno, ainda assim e passível de ser registrado visualmente por observadores munidos de pequenos instrumentos óticos com aberturas de 150mm ou maiores como: lunetas e telescópios.

Conforme podemos vislumbrar numa rápida análise da figura 1 (projeção Mercator), as cores das linhas ciano apresenta as curvas do evento no desaparecimento e reaparecimento com a lua no nascer ou no ocaso, dependendo da posição geográfica; linha continua branca, apresenta o limite norte da ocultação com o evento ocorrendo em período noturno; linha continua azul; apresenta o limite norte e sul da ocultação com o evento ocorrendo durante a fase crepuscular; já a linha pontilhada vermelha além de indicar o limite norte deste evento, informa que esse fenômeno ocorre a luz do dia.

Somente a fase do reaparecimento do disco do planeta poderá ser observada de uma pequena região da Nova Zelândia conforme apresentado na tabela 1 acima, onde apresentamos as circunstâncias gerais da visibilidade (reaparecimento) deste evento. 

Numa breve análise da tabela 2 acima apresentada, veremos que na numa grande região do continente sul americano o evento e observado a luz diurna; assim Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Peru e Uruguai o fenômeno poderá ser registrado em ambas as fases (Desaparecimento e Reaparecimento), assim também ocorrendo em partes do território brasileiro. 

Netuno 

Netuno é o planeta mais externo no sistema solar e um digno representante dos gigantes gasosos; seu diâmetro equatorial possui 49.500 quilômetros; a história da descoberta deste planeta remonta as pequenas irregularidades no movimento observado de Urano e Netuno, estes descobertos em 13 de março de 1781 por William Herschel e em 23 de setembro de 1846 por Johann Gottfried Galle e também e Louis d'Arrest no Observatório de Berlim, após as análises matemáticas feitas por Urbain Jean Joseph Le Verrier (CAMPOS, 2015).

Esta será a sétima oportunidade de se observar uma ocultação deste planeta neste ano, sendo que das 13 ocultações previstas quatro são passíveis de se acompanhar da América do Sul sendo a mais favorável neste período, a ocorrência de 06 de setembro próximo visível na região sul do continente americano (Argentina, Brasil, Chile e Uruguai) no período noturno com Netuno apresentando uma magnitude visual de 7.8 naquela oportunidade.

Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

No Facebook:

“Ocultações Astronômicas”.

Este grupo destina-se à divulgação e discussão de eventos astronômicos na área de 'Ocultações'. Ocultações de estrelas e planetas pela Lua, ocultações de estrelas por asteroides e as técnicas empregadas para o registro destes eventos.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2017. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2016. 135p. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/0B92tNur3vviSSGoyYW9lNlg5SFU/view?usp=sharing> Acesso em 02 Dez. 2016.

_______, Olá Plutão e Caronte. Prazer em conhecer-lhes! Sky and Observers, 14 Julho 2015. Disponível em: <https://goo.gl/T6ELiK> Acesso em: 17 Jan. 2017.

HAMILTON, Calvin J. Netuno. Disponível em: <http://astro.if.ufrgs.br/solar/neptune.htm> Acesso em: 17 Jan. 2017.

HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 12 May. 2017.

- ROBINSON, Rob. IOTA (Webmasters Homepage) <http://www.lunar-occultations.com/iota/iotandx.htm> - Acess in 16 Jan. 2017.

A ocultação de Regulus pela Lua em 27 de junho 2017!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 27 de junho próximo, a Lua +20% iluminada e numa elongação solar de 23° ocultará a brilhante estrela Regulus (alpha Leonis) de magnitude 1.41 e tipo espectral B8IVn (Figura 1). Proporcionando a rara oportunidade da realização um registro de estrelas brilhantes aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado numa grande extensão da superfície terrestre.

Assim sendo, os observadores localizados na região norte do continente sul americano (Brasil e Chile) poderão acompanhar as fases de desaparecimento dessa estrela conforme e apresentado na tabela 1. Já ambas as fases (Desaparecimento e Reaparecimento) poderão somente ser acompanhada do Equador e Peru.

Já observadores localizado na região norte do oceano pacífico (Havaí) também poderão acompanhar as fases de desaparecimento e reaparecimento, mas o fenômeno ocorrerá à luz diurna, conforme e apresentado na tabela 2, para as principais localidades no arquipélago do Havaí.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo apresentamos o mapa global (figura 2) com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange as respectivas regiões localizadas no oceano pacífico.

Regulus (Alpha Leonis)

A designação de Bayer (alpha Leonis) para Regulus e uma breve consulta no Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica (Ed. Nova Fronteira) do astrônomo brasileiro Ronaldo Rogério de Freitas Mourão  (1935-2014) nos indica diversas denominações para essa estrela como: Kabeleced, Rex, Cor Leonis, Al Kalb al Asad, Kalb e Kelb. Fato é que trata-se de uma estrela de coloração branco-azulada de primeira magnitude, sendo portanto a 21ª estrela mais brilhante do firmamento. Sua distância a Terra e estimada em 79.4 anos-luz tratando-se de um sistema múltiplo de estrelas, conforme podemos apreciar pela figura 3.


O Atual ciclo de ocultações dessa brilhante estrela iniciou-se em dezembro ultimo (veja: https://goo.gl/VjDTl4), devendo finalizar-se com a ocultação de 24 de abril do próximo ano. Uma nova repetição do ciclo de ocultações desta brilhante estrela correrá entre 2025 e 2027.

Sites recomendados:

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(ocultações de estrelas por asteroides).

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Este grupo destina-se à divulgação e discussão de eventos astronômicos na área de 'Ocultações'. Ocultações de estrelas e planetas pela Lua, ocultações de estrelas por asteroides e as técnicas empregadas para o registro destes eventos.

Boas Observações!

Referências:

MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2017. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2016. 135p. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/0B92tNur3vviSSGoyYW9lNlg5SFU/view?usp=sharing> Acesso em 02 Dez. 2016.

HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 21 Abr. 2017.

Alô, tem alguém ai?

Nelson Alberto Soares Travnik (*)
nelson-travnik@hotmail.com
Observatório Astronômico de Piracicaba Elias Salum

Há 50 anos, vibrações estelares captadas por um radiotelescópio seriam obras de ETs. Muitos acreditaram ser um código para estabelecer contato com os terráqueos.

Em julho de 1967, a irlandesa Susan Jocelyn Bell Burnell (1943 - ) detectava acidentalmente com o radiotelescópio da Universidade de Cambridge, Inglaterra, um sinal muito regular – pulsos de radiação que se sucediam a uma freqüência de um por segundo . Em parceria com seu orientador, o radioastrônomo inglês Antony Hewish (1924 - ) pensaram num primeiro instante tratar-se de um sinal emitido por uma forma de vida extraterrestre. 

Essa hipótese incendiou a mente de multidões: finalmente havíamos recebido sinais dos nossos irmãos do espaço! Os sinais foram atribuídos a “pequenos homens verdes” conhecidos pela sigla LGM (Little Green Men)  Uma outra hipótese entretanto, para explicar a regularidade precisa das emissões, era de que os sinais provinham de perturbações terrestres como o facho periódico de um farol que gira. Mas a regularidade dos pulsos demonstrou que se tratava de algo novo.

Não tardou muito para que Bell descobrisse que certos sinais pulsados de radio, chegavam com enorme precisão a cada 1,33728 segundos vindos da constelação de Vulpecula (Raposa). Outros sinais foram identificados por Hewish no centro da nebulosa do Caranguejo da constelação zodiacal do Touro. Identificado o objeto no coração da nebulosa, viu-se tratar de um novo tipo de estrela que recebeu o nome de pulsar, oriundo da contração de expressão inglesa “Pulsating Radio Sources” que equivale a ‘fonte de radio pulsante’. 

Coube a Thomas Gold (1920-2004) verificar que os pulsares eram estrelas de nêutrons em rotação. Identificados, eles emitem em todos os domínios dos comprimentos de onda das faixas de radio. A partir da descoberta, observações em outras faixas do espectro eletromagnético demonstrou que os pulsares podem ser observados não só em raios gama e raios X bem como em luz visível. Utilizando técnicas fotográficas ultrarrápidas, foi possível flagrar as pulsações do pulsar da nebulosa do Caranguejo. Desvendado o ‘mistério’ tornamos a ficar isolados no universo.   

O que são?

A existência de estrelas formadas basicamente de nêutrons, foi proposta em 1932 pelo físico russo Lev Davidovich Landau (1908-1968) pouco depois de se descobrir que essa partícula (juntamente com prótons e elétrons) formava o átomo. Esse modelo concebido pelo astrofísico Walter W. H. Baade (1893-1960) e pelo astrônomo suíço Fritz Zwicky (1898-1974), foi confirmado com a observação da supernova de Shelton SN 1987, em 1987, na Grande Nuvem de Magalhães, uma galáxia satélite da nossa galáxia. Sua massa inicial estava compreendida entre 8 e 20 massas solares. 

Estrelas de nêutrons é, pois, a explosão final de uma estrela solitária de grande massa. Quando no momento da explosão, ela brilha com luminosidade de uma galáxia inteira! São objetos extremamente compactos e sua compacidade pode ser entendida pela densidade que é definida pela massa de um dado volume. A água por exemplo, tem densidade de um grama por centímetro cúbico. A densidade do ouro é 19 vezes maior. Qual seria a densidade em uma estrela de nêutrons? 

Praticamente inimaginável. Elas tem densidade de 100 milhões de toneladas por centímetro cúbico (densidade do núcleo atômico)! No espaço de uma colherzinha de chá por exemplo, seria algo de milhões de toneladas! Com exceção dos buracos negros, é a maior compacidade conhecida. Isso pode ser entendido para uma estrela centenas ou milhares de vezes maiores que o Sol e que, após a explosão, converte-se a uma esfera de 20 km de diâmetro. 

E como explicar a vertiginosa rotação da estrela? É o que em física é conhecido como conservação de momento angular. Vejamos: uma estrela comum tem velocidade de rotação de algumas dezenas de quilômetros por segundo. A rotação das estrelas de nêutrons é algo inimaginável – a cada pulso observado ela completa uma volta e essa volta se dá a centenas de pulsos por segundo! A rotação mais rápida observada  emite 716 pulsos por segundo o que significa que ele gira mais de 700 vezes por segundo em torno do seu próprio eixo! Mais tarde os astrônomos constataram que a maioria das estrelas de nêutrons não são pulsares pois sua emissão de radio já terminou há muito tempo, pois sua vida média é de só 10 milhões de anos a não ser que seja uma binária (duas estrelas submetidas aos mesmos laços de gravitação). A estrela de nêutron, um pulsar, é pois a resultante de uma estrela massiva que ao explodir se transforma em uma bela e grandiosa nebulosa, contendo gases, poeira e outros elementos que irão contribuir para a formação de novas estrelas e com isto sistemas planetários similares ao nosso. Nascimento, vida, morte e renascimento. Eis a tônica que prevalece no Cosmo. 

(*) Nelson Travnik é astrônomo e Membro Titular da Sociedade Astronômica da França.  

segunda-feira, 1 de maio de 2017

A ocultação de sigma Leo pela Lua em 05 de maio 2017!

Antônio Rosa Campos
arcampos_0911@yahoo.com.br
CEAMIG – REA/Brasil – AWB

Em 05 de maio próximo, a Lua +77% iluminada e com a elongação solar de 123° ocultará a estrela sigma Leonis de magnitude 4.1 e tipo espectral B9.5V (Figura 1). Proporcionando um belo espetáculo aos observadores munidos com pequenos instrumentos óticos como: binóculos, lunetas e telescópios; esse evento poderá ser observado em boa parte da superfície terrestre.

Desta forma, os observadores localizados no continente africano Angola, África do Sul, Benin, Cabo Verde, Costa do Marfim, Gabão, Gana, Madagascar, Moçambique, Nigéria, Reunião (Ilha), Senegal, São Tomé e Príncipe, Tanzânia, Togo, Zâmbia e Zimbabué, poderão acompanhar os eventos de Desaparecimento (exceto: Reunião e Madagascar e a cidade de Beira em Moçambique) e Reaparecimento desta estrela, conforme apresentado na tabela 1. 

Já na região do mar do Caribe na América Central (Barbados, Porto Rico, São Cristóvão e Nevis, Trinidad e Tobago), o evento ocorrerá na fase diurna do dia; assim somente poder-se-á observar as fases de reaparecimento e desaparecimento deste evento o território insular de Barbados. Já nas demais regiões, poderá ser registrado somente a fase de reaparecimento conforme apresentado na tabela 2.

Na região norte e nordeste da América do Sul (Brasil, Suriname e Venezuela), somente o território venezuelano não poderá registrar a fase de desaparecimento; no Brasil bem como o Suriname e a região das Guianas poderá observar ambas as fases de deste evento também a luz do dia, conforme apresentado na tabela 3.

Além das circunstâncias de gerais de visibilidade e também de desaparecimento e reaparecimento acima mencionadas, abaixo apresentamos o mapa global (figura 2) com a faixa de visibilidade do fenômeno que abrange as respectivas regiões, ilhas e reservas naturais localizadas ao sul e ao norte do oceano Atlântico e sul do oceano Índico.

Sigma Leonis
A designação de Bayer para sigma Leonis e ainda 77 Leo para o número de Flamsteed (figura. 3) indica tratar-se de uma estrela comum de Velocidade Radial: -5.3 [km/s]. São também designações para essa estrela: HR 4386, BD +06 2437, HD 98664, SAO 118804, FK5 427, HIP 55434 e ZC 1644.


Sites recomendados:

"Como observar"
"formulário de reporte"
(ocultações de estrelas por asteroides).

No Facebook:

“Ocultações Astronômicas”.

Este grupo destina-se à divulgação e discussão de eventos astronômicos na área de 'Ocultações'. Ocultações de estrelas e planetas pela Lua, ocultações de estrelas por asteroides e as técnicas empregadas para o registro destes eventos.

Boas Observações!

Referências:

- MOURÃO, Ronaldo Rogério de Freitas. Dicionário Enciclopédico de Astronomia e Astronáutica. Rio e Janeiro: Ed. Nova Fronteira, 1987,  914P.

CAMPOS, Antônio Rosa. Almanaque Astronômico Brasileiro 2017. Belo Horizonte: Ed. CEAMIG (Centro de Estudos Astronômicos de Minas Gerais), 2016. 135p. Disponível em: < https://drive.google.com/file/d/0B92tNur3vviSSGoyYW9lNlg5SFU/view?usp=sharing> Acesso em 02 Dez. 2016.

HERALD, Dave. Occult4 v4.1.0.27 (24 March. 2014) Uptade v4.2.0 available in: <http://www.lunar-occultations.com/occult4/occultupdate.zip> Acess in 28 Abr. 2016.